Coluna do Fabrício Gonçalvez

Quem está salvando a América?

23 maio 2023, 17:21 - atualizado em 23 maio 2023, 17:21
Wall Street
Embora o cenário seja desafiador, as gigantes empresas americanas vêm se recuperando gradativamente (Imagem: REUTERS/Brendan McDermid)

Devido à preocupação dos investidores com a desaceleração econômica dos Estados Unidos, os principais índices acionários do país entraram em declínio no final de 2021. Do topo até o fundo em outubro de 2022, o S&P 500 caiu cerca de 27,50% e a Nasdaq apresentou desvalorização de quase 38%.

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Essa precificação nos ativos de risco foi impulsionada pela maior inflação aos consumidores em 40 anos e o início do aperto monetário promovido pelo Fed, banco central americano, em março do ano passado. A taxa de juros saiu da faixa entre 0% e 0,25% ao ano para o patamar atual entre 5% e 5,25% ao ano.

Embora o cenário seja desafiador, as gigantes empresas americanas vêm se recuperando gradativamente e auxiliando na recuperação dos principais índices.

A ação da Nvidia acumula valorização próxima de 185% e da Meta (Facebook) de 179% do último fundo até o momento. O avanço das multinacionais faz com que elas se destaquem entre as 10 maiores empresas do S&P 500 e da Nasdaq 100 no período.

Outras altas em destaque desde o início da atual tendência:

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Alphabet (Google) +47%;
Amazon +42%;
Apple +41%;
Microsoft +49%.

Já os índices S&P 500 e Nasdaq 100 acumulam altas aproximadas de 20% e de 32,10% no mesmo movimento, respectivamente.

As empresas acima também figuram entre os maiores ganhos de 2023 no S&P 500:
Fonte: finviz.com

• Alphabet +39,14%;
• Amazon +38,39%;
• Apple +34,81%;
• Meta +104,12%;
• Microsoft +32,74%;
• Nvidia +113,93%.

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Durante a recente turbulência bancária, essas grandes companhias se beneficiaram pela busca dos investidores por ativos mais seguros, que apresentam balanços sólidos e fluxos de caixa mais previsíveis.

Enquanto os bancos enfrentavam dificuldades, as maiores empresas dos EUA reportavam resultados corporativos acima da expectativa do mercado, o que levou ao aumento no valor das ações do setor de tecnologia e serviços de comunicação.

A Apple e a Microsoft representam 13,77% de peso, atualmente, do S&P 500 (principal índice acionário americano).

A ponderação combinada entre as duas empresas se encontra próxima do nível recorde. Se incluídas a Alphabet, a Amazon, a Meta Platforms e a Nvidia Corp, a participação sobe para 23,50%, ou seja, quase um quarto do S&P 500 agora é representado por seis corporações.

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Essa concentração cada vez maior no índice de referência tem sido motivo de preocupação para alguns especialistas financeiros, uma vez que pode aumentar o risco para os investidores passivos diante da elevada exposição nessas ações.

O fato é que as valorizações dessas companhias impulsionam os índices americanos e faz com que o S&P 500 se valorize 9,18% no ano e a Nasdaq tenha um ganho de 26,18% em 2023.

A alta mais acentuada do Nasdaq 100, índice focado no setor de tecnologia, é explicada pela maior participação das seis companhias em sua composição, que chega a aproximadamente 50%.

Os investidores continuam monitorando de perto os dados de inflação ao consumidor e ao produtor, buscando sinais de que o pior já tenha passado e que a situação esteja se normalizando.

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Caso essa percepção se confirme, o Fed terá condições de reduzir a taxa de desconto, o que poderá trazer benefícios para a lucratividade do setor produtivo e para os ativos de renda variável.

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Fabrício Gonçalvez é CEO da Box Asset Management e trader parceiro do BTG Pactual.
Atua no mercado há mais de 15 anos, produz conteúdo e compartilha dicas de como manter consistência no Day Trade e Swing Trade.
fabricio.goncalvez@moneytimes.com.br
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