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Quer melhorar os resultados de sua empresa? Coloque mulheres na sua direção

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Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude, startup focada em psicologia e coaching.

Hoje comemoramos o Dia Internacional da Mulher. É um dia de bastante celebração, mas também de muita reflexão. A ideia de celebrar a data surgiu no início do século passado, em um contexto de luta pela igualdade nas condições de trabalho, direitos econômicos, trabalhistas e melhores condições de vida. Mais de cem anos se passaram e, apesar de muita luta, discussões e reflexões, ainda vejo um cenário menos evoluído do que desejado por muitas de nós. Precisaremos de mais quantos séculos para atingirmos a tal igualdade de gênero?

Será utopia ou podemos realmente brigar e pleitear uma posição igual na sociedade? De acordo com o IBGE, as mulheres ocupadas (economicamente falando) são mais escolarizadas do que os homens: 19,2% delas têm o ensino superior completo, enquanto que 11,5% dos homens têm este mesmo nível de instrução. Apesar desta diferença ganhamos menos. Quando se considera apenas o rendimento médio do trabalho, as mulheres recebem em média 73,8% do rendimento dos homens, também segundo o IBGE.

Muito se fala em diversidade, mas pouco se pratica. Empresas anunciam em seus planos estratégicos de 5, 10 e talvez até mais anos que a organização busca políticas mais inclusivas. Porém, o que vemos é apenas mais um quadro de enfeite na parede. Como diz o dito popular: apenas discurso para inglês ver. Trabalhei em uma empresa que, no momento da contratação, divulgava exatamente esse discurso bonito de diversidade e inclusão. Quando olhávamos o board da empresa, porém, víamos apenas homens, brancos, de origem alemã, com a mesma faixa etária e nada de diversidade. O mesmo se refletia em outras regiões do mundo, nada muito diferente. Nenhuma mulher em cargos de alta gestão. Por que então afirmar que se preocupam com isso?

A diversidade não só de gênero como de raça, credo, entre outras agrega valor e enriquece discussões, ajuda na inovação e na geração de conhecimento. Por uma questão histórica e até mesmo por condições hormonais, mulheres e homens têm aptidões e habilidades diferenciadas. Nas civilizações mais primitivas, os homens saíam para caçar o alimento e as mulheres ficavam responsáveis por cuidar do abrigo, procriar e executar tarefas um pouco mais simples. Homens possuem habilidades espaciais, com tendência maior a raciocínios matemáticos, enquanto mulheres possuem mais memória verbal, tendo mais facilidade com leitura e execução de tarefas de precisão que requerem maior coordenação motora, controle e detalhes. Observando esses fatores, não é de estranhar que muitas equipes de alta performance sejam compostas por uma quantidade equilibrada de homens e mulheres, maximizando o potencial de um time.

Sou engenheira civil de formação. Desde a faculdade, fiz parte de ambientes altamente masculinos. Seja na própria universidade, nos estágios, nos empregos e nos MBAs. Foram 17 anos convivendo muito mais com homens que mulheres, tentando fazer a diferença entre eles, precisando muitas vezes trabalhar bem mais que meus colegas homens para alcançar uma promoção, ou ser realmente notada como High Potential.

Em 2015, algo mudou: comecei minha trajetória no empreendedorismo. Escolhi estruturar minha empresa em uma área totalmente diferente, olhando por uma ótica diferenciada e contrariando muita gente, que dizia que minha ideia não daria certo. Sei que algumas pessoas duvidaram da minha capacidade de tirar um projeto do papel, acharam que eu estava apenas sonhando acordada ou “inventando moda”, como dizem por aí. Nesse caminho, tive apoio de muitos homens incríveis, como meu pai, meus sócios, professores, mentores e alguns amigos muito queridos, que se disponibilizaram a ouvir ideias, criticar e dar sugestões.

O resultado disso é a Vittude, que me colocou em contato com o universo feminino, que eu pouco havia vivenciado. Em sua maioria, psicólogos e pacientes são do sexo feminino, e também aqui vemos desigualdade. Em São Paulo existem cerca de 78 mil psicólogas mulheres e 11 mil homens. 87% dos psicólogos do Estado de São Paulo são mulheres. Me questiono por que tão poucos homens estudam psicologia ou mesmo por que poucos homens cuidam da sua saúde emocional. Existe aí algum preconceito ou temos realmente um problema de cultura? São pontos que ainda precisarei de muito mais tempo para entender. Diariamente convivemos com um número bem maior de usuárias mulheres na plataforma.

Ao empreender, também descobri um universo de empresas fundadas e lideradas por mulheres. Tive a oportunidade de participar do Prêmio Mulheres em Tech Sampa e ser uma das vencedoras (assista ao vídeo da premiação abaixo). E desde então tenho sido presenteada com inúmeras oportunidades de conhecer, conviver e compartilhar cada vez mais conhecimento com mulheres incríveis como: Alice Maia e Aline Delouya da Nahora.com, Elisa Volpato da Testr, Jaci Cruz da Ideias do FuturoTássia Monique da Opa Portal, Iana Chan da Programaria, Marina Vianna e Thaís da Soulvox, entre outras.

Na última sexta-feira, fui convidada para um evento chamado Pimp my Mind, realizado em Cascavel (PR). Fui a palestrante convidada da noite e tive a oportunidade de conversar com meninas e mulheres incríveis. Alguns fatos deste evento chamaram minha atenção: cerca de 20% das participantes tinham experimentado relacionamentos abusivos em casa ou no trabalho, uma delas citou ter sido abusada pelo padrasto, outra ter sido assediada moralmente no trabalho. Relatos de homens que no trabalho se comportam como verdadeiros tratores, diminuindo e questionando a capacidade profissional de uma mulher. Porém, o mais legal foi perceber que todas elas estavam ali debatendo questões de equidade de gênero por já terem colocado um basta e assumido o protagonismo de suas vidas pessoais e profissionais. Vi muito brilho nos olhos, e foi um dos momentos em que tive extrema alegria e orgulho do que venho construindo.

No domingo, um novo presente: a matéria da Folha de São Paulo com depoimentos de mulheres que empreenderam em áreas como gastronomia, moda, eventos e tecnologia. Mais histórias incríveis. Participei também de uma entrevista para a rádio CBN em Cascavel, que foi ao ar hoje cedo, com a participação de várias mulheres militantes na política, saúde, tecnologia, etc. E esta semana, que ainda está no meio, promete muitas emoções.

Eventos organizados por toda a cidade no Cubo, no Campus, na Oxigênio, etc… para discutir e debater negócios e inovação. Meetups, Hangouts e encontros organizados por mulheres por toda cidade de São Paulo, em um verdadeiro ato de empoderamento.

Hoje à noite participo de um hangout apenas com empreendedoras da área de saúde. Amanhã serei mentora do evento Farm Day Woman, edição especial para mulheres empreendedoras que queiram desenvolver novos negócios na área de tecnologia. À noite participo do Female Founders Meetup - Força Feminina!, encontro feito por mulheres para mulheres, onde discutiremos o empreendedorismo feminino e o espaço que ainda precisamos ocupar dentro do ecossistema de startups.

Uma semana inteira de agenda cheia, com eventos que apontam mulheres militando por uma sociedade mais justa e igual, e que precisam do apoio de vocês. Que sociedade você quer construir para as futuras gerações? Um lindo dia das mulheres e uma estrada de muito sucesso para todas !

Tatiana Pimenta é Ceo e fundadora da Vittude, startup focada em psicologia e coaching. Atua também como Coach nas áreas de empreendedorismo, gestão de negócios e vendas. É mentora de jovens e mulheres empreendedoras. Desenvolve trabalhos de consultoria empresarial nas áreas de gestão de vendas e cultura organizacional.


 

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