Raízen (RAIZ4): Fitch rebaixa rating pela segunda vez no mesmo dia e leva nota a ‘CCC
A Fitch Ratings rebaixou novamente o rating da Raízen (RAIZ4) nesta segunda-feira (9), horas após já ter cortado a nota da companhia, levando as classificações para a faixa de alto risco (‘CCC’).
Segundo a Fitch, o novo rebaixamento ocorreu após a Raízen informar que contratou assessores financeiros para conduzir uma avaliação de alternativas estratégicas voltadas ao fortalecimento da liquidez, otimização da estrutura de capital e melhora da interação com o mercado. A agência afirmou que essa informação não havia sido considerada na ação de rating realizada mais cedo no mesmo dia, apesar de já estar publicamente disponível.
A agência reduziu de ‘B’ para ‘CCC’ os Issuer Default Ratings (IDRs) de longo prazo em moedas estrangeira e local da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. Ao mesmo tempo, rebaixou para ‘CCC’ as notas seniores sem garantia real da Raízen Fuels Finance S.A., com vencimentos em 2027, 2032, 2034, 2035, 2037 e 2054, mantendo o Rating de Recuperação em ‘RR4’.
No mercado doméstico, a Fitch também cortou de ‘BBB-(bra)’ para ‘CCC(bra)’ os ratings nacionais de longo prazo da Raízen e de diversas emissões de debêntures da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. (com garantia da Raízen S.A.). A Observação Negativa foi retirada de todas as classificações.
Na primeira decisão, divulgada pela manhã, a Fitch havia rebaixado os IDRs da companhia para ‘B’ com Observação Negativa, a partir de ‘BBB-’, e o rating nacional para ‘BBB-(bra)’, de ‘AAA(bra)’.
Para a agência, as incertezas em relação aos próximos passos da empresa e sobre a disposição e os incentivos dos acionistas controladores — Cosan e Shell — para prover suporte financeiro à Raízen passaram a ser determinantes.
Com a migração para a categoria ‘CCC’, a Fitch destaca que existe risco de crédito substancial e que uma inadimplência, ou um processo semelhante, tornou-se uma possibilidade real, a depender das decisões que venham a ser adotadas pela companhia e por seus acionistas.
Mercado em alerta
A S&P Global Ratings também rebaixou o rating da Raízen, de ‘BBB-’ para ‘CCC+’ e colocou a companhia em observação de crédito negativa, citando o aumento dos riscos de uma reestruturação da dívida que a agência considera equivalente a default.
A agência disse que há pouco espaço para melhora no curto prazo: o desempenho mais fraco do negócio de açúcar e etanol deve pesar sobre os resultados, apesar da evolução positiva em volumes e margens na distribuição de combustíveis no Brasil. Com isso, a S&P projeta Ebitda em torno de R$ 11 bilhões em 2026, com alavancagem entre 5,0x e 5,5x.
A Raízen, uma joint venture entre o conglomerado brasileiro Cosan e a petrolífera Shell, registrou uma série de pesadas perdas trimestrais e acumulou altos níveis de dívida líquida.
Em novembro passado, a empresa reportou um prejuízo líquido de mais de R$ 2,3 bilhões para o segundo trimestre da safra de açúcar 2025/2026, enquanto a dívida líquida para os seis meses encerrados em 30 de setembro atingiu R$ 53,4 bilhões.