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Ibovespa: Relação com Lula azedou? 3 fatores que fazem índice derreter, na contramão de Wall Street

12 jun 2024, 13:11 - atualizado em 12 jun 2024, 21:29
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Sem a divulgação de dados importantes, coube ao cenário política e fiscal roubar a cena (Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli)

O Ibovespa despenca nesta quarta-feira na contramão de Wall Street e no aguardo do Fomc, que deverá se reunir às 15h para definir os juros americanos. Mais cedo, o índice chegou a perder os 120 mil pontos. Veja a pontuação da bolsa:



No dólar, a moeda norte-americana chegou a disparar em 1,32%, atingindo a máxima do dia em 5,4303 reais às 10h57.

Sem a divulgação de dados importantes, coube ao cenário política e fiscal roubar a cena.

Mais cedo, o presidente Lula falou em evento do FII PRIORITY Summit Rio de Janeiro, um encontro internacional para debater oportunidades de investimentos para o desenvolvimento sustentável.

Além disso, uma possível fritura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi citada por analistas consultados pelo Money Times.

Haddad vs Congresso

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, anunciou decisão de devolver ao presidente a Medida Provisória que restringe a compensação de créditos de PIS/Cofins, legislação editada pelo governo na semana passada e que sofreu fortes críticas do setor produtivo.

Pacheco argumentou que a MP não cumpriu o princípio da noventena, que estabelece que alterações de regras tributárias só podem entrar em vigor 90 dias após serem editadas. A medida sofreu grande pressão do setor produtivo.

A MP foi anunciada para cobrir o rombo gerado pela desoneração da folha salarial, que irá gerar uma perda de arrecadação de R$ 29 bilhões.

Sem a medida, Haddad já afirmou que não possui opções para o enrosco fiscal e que parte da solução será dada no Senado. A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que gastos fiscais indiquem a fonte de receita.

“Isso, por si só, já era um motivo de estresse, o desalinhamento do Executivo com o Congresso”, explica Victor Benndorf, da corretora que leva o seu sobrenome.

Fritura de Haddad

Uma outra preocupação é a fritura que o ministro vem sofrendo do próprio governo. De acordo com a jornalista Daniela Lima, do G1, Haddad sofre um ataque especulativo, a céu aberto, celebrado pela oposição, e gestado dentro do Palácio do Planalto.

“Pelo que o mercado está interpretando, tem gente do próprio governo sabotando. Se tiver uma troca, vai ser muito ruim porque o Haddad tem sido bem moderado”, coloca Bruno Komura, da Potenza Investimentos.

O Congresso recusou três saídas oferecidas pela Fazenda para reorganizar a arrecadação: a reoneração, a retomada de taxas sobre os municípios e, agora, uma nova formatação para o uso de créditos do Pis/Cofins.

Para o gestor de renda variável Tiago Cunha, da Ace Capital, o ruído começou no já fragilizado equilíbrio fiscal e agora atinge o núcleo político do governo, “principalmente na área econômica, que até agora tem sido fiador da credibilidade do governo junto ao mercado”.

Falas de Lula e Ibovespa

Nesta manhã, falas do presidente Lula também caíram mal. Lula disse que está “arrumando a casa e colocando as contas públicas em ordem para assegurar o equilíbrio fiscal”.

“O aumento da arrecadação e a queda da taxa de juros permitirão a redução do déficit sem comprometer a capacidade de investimento público. A reforma tributária vai tornar nosso regime mais justo e eficiente, deixando de penalizar os mais pobres e dando mais competitividade à economia”, discursou.

Para Benndorf, o posicionamento do presidente de que arrumação das contas será via aumento de arrecadação, o que, segundo ele, o Executivo já não consegue mais fazer, pegou o mercado.

“E aí, depois desse trecho, veio uma palavra que seria uma bomba atômica para o mercado, através de queda de juros. O mercado sabe que não há espaço para queda de juros. Ou seja, se houver queda de juros, vai ser através de viés político. Então, você perde a autonomia do Banco Central, que já vai demandar mais prêmio no Brasil”, diz.

Por outro lado, Marcelo Boragini, sócio e especialista em renda variável a Davos Investimentos, vê a queda como um exagero.

“Sinceramente, não considero essa declaração tão negativa quanto o mercado tem precificado. Mesmo assim, a declaração afetou o mercado, que parece estar enviando um recado ao governo de que, se continuar dessa maneira, a situação ficará difícil, e o mercado, por meio da bolsa e do dólar, acaba punindo o governo”, fala.

Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022 e 2023. É editor-assistente do Money Times. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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