Renda fixa, cautela e “sem aposta em eleições”: A estratégia do Santander para 2026
2026 começou e gestores, com isso, traçam suas estratégias para o ano. No Santander, a leitura é clara: apesar do cenário mais construtivo à frente, especialmente com a perspectiva de queda de juros, o investidor não deve abandonar a cautela nem transformar o calendário eleitoral em aposta financeira. A palavra-chave segue sendo diversificação, com a renda fixa ainda ocupando papel central nos portfólios.
A preferência pela renda fixa se explica pela leitura da instituição de que o momento atual oferece uma janela rara de oportunidade. Títulos prefixados com taxas entre 13% e 15% ao ano e papéis atrelados à inflação pagando IPCA +7% estão em patamares historicamente elevados.
“Esses ativos, então, combinam duas frentes de retorno: a previsibilidade de carregá-los até o vencimento e o potencial de ganhos adicionais via marcação a mercado, à medida que a curva de juros segue em processo de fechamento”, explica Lucas Carvalho, estrategista do Santander, em entrevista ao Money Times.
Atualmente, o banco enxerga que a Selic deve terminar 2026 em 12,50%, ante os 15% atuais.
Apesar do protagonismo da renda fixa, o Santander ressalta que a estratégia não é de exclusão, mas de equilíbrio. A diversificação segue como princípio fundamental, especialmente em um ano que deve ser marcado por volatilidade.
Na Bolsa, cautela e foco em setores defensivos
Por isso, na renda variável, o Santander mantém uma abordagem seletiva, apostando majoritariamente em setores considerados mais seguros.
“Setores como financeiro, utilities, energia e saneamento seguem entre os nossos preferidos pela consistência dos resultados. Essas empresas combinam geração de caixa estável com menor volatilidade”, diz o estrategista. “Podemos ter uma rotação ao longo do tempo para setores mais cíclicos e para empresas mais alavancadas, mas, neste momento, a preferência ainda é por ações de perfil mais defensivo.”
Mesmo com a perspectiva de queda de juros no Brasil, a avaliação do Santander é que o ambiente ainda exige disciplina, leitura constante de fluxo e atenção aos riscos fiscais, políticos e macroeconômicos — o que reforça a postura mais cuidadosa.
Esse cuidado ganha ainda mais peso pelo fato de 2026 ser um ano de eleição presidencial. “Ainda existe uma distância grande até o processo eleitoral e muitas definições importantes ainda precisam acontecer. Por enquanto, não faz sentido transformar a eleição em uma aposta financeira. A estratégia é trabalhar com o cenário que o mercado oferece hoje e manter a diversificação”, defende Carvalho.
Diversificação no exterior
Com o risco político no radar, a diversificação internacional também aparece como um pilar central da estratégia do Santander para 2026. Na avaliação do banco, não faz sentido concentrar todo o patrimônio no Brasil, especialmente em um ambiente de maior incerteza.
“Mesmo com a discussão sobre valuations mais esticados nos Estados Unidos, o custo de oportunidade de ficar fora do mercado americano é muito alto. O país segue sendo o mercado de capitais mais profundo e desenvolvido do mundo e é preciso ter uma exposição estrutural”, afirma o especialista do banco.
Carvalho ressalta que um cenário de cortes de juros tende a impulsionar a bolsa — movimento que deve ocorrer nos Estados Unidos ao longo do ano.
Além das ações, ativos alternativos também ganham relevância nesse contexto. O ouro é visto como instrumento importante de diversificação, beneficiado tanto por um cenário de juros mais baixos nos EUA quanto por uma possível continuidade da perda de força do dólar em meio a um cenário geopolítico mais conturbado, reforçando seu papel como proteção.
O cenário de queda dos juros nos Estados Unidos, por fim, também sustenta um viés mais construtivo para o Brasil. “Com essa expectativa, o dólar perde força e grandes investidores passam a buscar mercados alternativos de alocação, especialmente os emergentes, favorecendo a entrada de capital no país e os ativos locais”, afirma.
Em um ano de incertezas políticas e fiscais, o Santander aposta, então, em disciplina e equilíbrio: renda fixa como base, bolsa de forma seletiva e diversificação — no Brasil e no exterior — como principal ferramenta para atravessar 2026.