Reforma da Previdência

Renegociação de dívidas de municípios depende de reforma previdenciária; entenda os prazos

24 mar 2026, 10:31 - atualizado em 24 mar 2026, 10:32
INSS, Previdência Social, Aposentadoria, Brasil, Governo, Instituto Nacional do Seguro Social
Renegociação de dívidas municipais depende de reforma da previdência local (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Prefeituras que pretendem aderir ao novo programa de parcelamento de dívidas previdenciárias terão que cumprir uma exigência central: aprovar reformas nos sistemas próprios de previdência. De acordo com orientações da Receita Federal, a renegociação de débitos em até 300 meses deve ser feita até 31 de agosto deste ano. Já a comprovação da regularização previdenciária deve ocorrer até março de 2027.  

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Um dos principais pontos de atenção para as prefeituras é a manutenção do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). O documento é condição para o recebimento de transferências voluntárias do governo central e, para a contratação de operações de crédito. Sem o CRP, municípios ficam sujeitos a restrições relevantes de caixa. 
 
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) que até um terço dos municípios têm pendências na Certidão Negativa de Débito (CND) previdenciária, impossibilitando o recebimento de transferências voluntárias. Em torno de um quarto dos municípios têm dívidas previdenciárias não conseguem honrar os parcelamentos firmados, de acordo com a CNM.

Em partes dos casos, gestores recorrem ao chamado “CRP judicial”, ou seja, conseguem na Justiça o mecanismo que assegura a continuidade dos repasses enquanto a pendência não é regularizada. 

Desequilíbrio atuarial entra no radar das gestões  

Segundo a área técnica do Ministério da Previdência, o descumprimento das exigências pode levar também à suspensão de parcelamento e à limitação de transferências federais, incluindo recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e verbas vinculadas a saúde. 
 
A Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais alerta que a ausência de ajustes estruturais e de compensações previdenciárias adequadas pode ampliar o desequilíbrio atuarial dos regimes próprios, com reflexos diretos sobre a sustentabilidade do pagamento de benefícios no longo prazo. 

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Rombo previdenciário pressiona orçamento local 

O quadro reflete um problema mais amplo nas finanças municipais. Estudos de tribunais de contas e da CNM mostram que muitos regimes de previdência municipais acumulam déficits recorrentes, pressionando o orçamento e cumprindo a capacidade de investimento das prefeituras. 
 
Casos recentes evidenciam dificuldades na manutenção da regularidade previdenciária, com registros de retenções de recursos e dependência crescente de decisões judiciais para preservar o fluxo de caixa. 

Decisão agora redefine o futuro fiscal dos municípios  

Com o prazo de adesão se encerrando em agosto de 2026, gestores municipais enfrentam uma equação que combina pressão técnica e custo político. 
 
A aprovação de reformas previdenciárias locais tende a encontrar resistência entre servidores e pode gerar desgaste em um ambiente já sensível, sobretudo em municípios com forte dependência do setor público. 
 

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*Com orientação de Gustavo Porto

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
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