Economia

Reposicionamento global abre espaço para o Brasil, que tem uma “carta na manga”, diz Esteves

31 mar 2026, 11:22 - atualizado em 31 mar 2026, 11:24
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(Imagem: Divulgação/ BTG Pactual)

A escalada recente do conflito no Oriente Médio não deve interromper – e pode até acelerar – um movimento que já vinha ganhando força entre investidores globais: a diversificação de portfólios para além dos Estados Unidos. A avaliação é de André Esteves, chairman do BTG Pactual, que vê o atual cenário geopolítico como um catalisador de uma tendência estrutural.

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Segundo o executivo, o “mal-estar” com os EUA tem se intensificado, levando investidores a buscar alternativas em outras regiões.

“A guerra não vai reverter a tendência anterior de diversificação de investimentos para além dos Estados Unidos, muito pelo contrário, esse desconforto só aumentou”, afirmou o executivo no BTG Pactual Asset Management, nesta terça-feira (31).

Esteves avalia que esse movimento pode ser observado no comportamento recente dos mercados emergentes. Embora as moedas dessas economias tenham registrado elevada volatilidade nas últimas semanas, o real tem se mantido relativamente estável frente ao dólar, o que indica, na visão de Esteves, que o fluxo de capital para fora dos EUA segue em curso.

“As moedas emergentes estão voláteis, mas o dólar contra o real basicamente não está se mexendo. Isso indica que a tendência de diversificação de ativos continua”, disse.

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O Brasil como protagonista

Para o banqueiro, o conflito em si deve ter caráter limitado. “Vejo essa guerra como transitória. Não vejo os Estados Unidos querendo ocupar um país como o Irã”, afirmou, sugerindo que o impacto geopolítico, embora relevante no curto prazo, não deve alterar de forma duradoura a alocação global de capital.

Neste contexto, a América Latina desponta como uma das principais beneficiárias, em especial o Brasil. Na avaliação de Esteves, há razões estruturais para isso. “Eu estou muito animado com a América Latina, com o Brasil”, afirmou o executivo, ao detalhar o que considera um diferencial competitivo difícil de replicar em outras regiões.

Segundo ele, o ponto de partida está na posição da região como produtora de baixo custo em praticamente todas as frentes relevantes de commodities. “Quando você olha o que é o Brasil e a América Latina, nós somos ‘low-cost producers’ de quase todas as commodities”, disse.

No campo agrícola, isso inclui grãos, açúcar, café e suco de laranja. Já em metais e mineração, a região se destaca na produção de minério de ferro, cobre, prata e lítio, além de concentrar reservas de terras raras que podem funcionar como alternativa à dependência global da China.

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A vantagem competitiva também se estende ao setor energético. “Mesmo em energia, a gente é ‘low-cost producer’ de renováveis no mundo e somos exportadores líquidos de petróleo”, afirmou. Como exemplo, Esteves destacou que o Brasil chegou a exportar, em 2025, o dobro do volume embarcado pelo Irã, um dos maiores exportadores hoje.

Além disso, o executivo chamou atenção para a diversificação da pauta exportadora brasileira, ainda que concentrada em recursos naturais. “A gente diversificou nossa pauta. Hoje ela é, grosso modo, um terço agro, um terço petróleo e um terço metais e mineração, com petróleo à frente, agro em segundo e metais em terceiro”, disse.

Na leitura do banqueiro, esse conjunto de fatores ganha ainda mais relevância em um cenário de preços elevados de commodities, especialmente do petróleo.

“No fundo, essa guerra pode ser até melhor para o Brasil. Um petróleo acima de US$ 100 ajuda a reduzir o déficit em conta corrente e o déficit fiscal”, afirmou, ponderando que o resultado depende da condução da política econômica doméstica.

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A carta na manga

Esteves também destaca o papel crescente do Brasil na segurança alimentar global. “Se você olhar o crescimento do consumo de alimentos do mundo nos próximos 20 anos, cerca de 80% será atendido pelo Brasil. É uma estimativa muito impactante”, disse. Para ele, essa posição confere ao país um relevante “soft power”, ainda pouco explorado.

“Quando você conversa com autoridades na China ou no Oriente Médio, todo mundo está preocupado com segurança alimentar. Isso é um tremendo ativo para a América Latina”, afirmou. Nesse cenário, a região combina ainda outras vantagens: estabilidade relativa, ausência de conflitos e neutralidade geopolítica.

O Brasil, em sua visão, aparece como peça central nesse novo arranjo global, não apenas pela abundância de recursos naturais, mas pela capacidade de se posicionar como fornecedor estratégico em energia, alimentos e minerais em um mundo cada vez mais sensível a choques de oferta.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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