Entrevista

Revolut é uma ameaça para Nubank? Eis a resposta do CEO

15 jan 2026, 6:30 - atualizado em 13 jan 2026, 13:44
Glauber Mota
Segundo o CEO da operação brasileira, Glauber Mota, a empresa cresce a um ritmo de 1 milhão de clientes a cada 17 dias (Imagem: Divulgação)

Se o Nubank é uma das fintechs mais bem-sucedidas do mundo, ele não está sozinho. A inglesa Revolut promete acirrar a disputa por uma fatia dos clientes brasileiros — e não apenas por aqui.

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Em outubro, a Revolut recebeu autorização para operar como banco na Colômbia e no México, dois mercados estratégicos para o roxinho, que vê na expansão internacional uma de suas principais avenidas de crescimento. É justamente nessas geografias que a concorrência entre as duas fintechs começa a ganhar tração.

Os Estados Unidos também estão no radar da empresa britânica. Segundo a Reuters, a Revolut chegou a avaliar a compra de um banco local como caminho para acelerar sua entrada no mercado americano.

Coincidência ou não, o Nubank também pediu licença bancária para operar nos EUA. O processo, no entanto, tende a ser mais lento. Analistas estimam que a fintech brasileira só deva obter a autorização em cerca de três anos.

Enquanto isso, a Revolut já demonstra ter bala na agulha para sustentar a disputa. Presente em cerca de 40 países, a fintech soma 65 milhões de clientes globais. O número, porém, já pode estar defasado.

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Segundo o CEO da operação brasileira, Glauber Mota, a empresa cresce a um ritmo de 1 milhão de clientes a cada 17 dias. ‘Então, certamente já passamos esse número’, afirmou em entrevista ao Money Times.

Embora ainda não tenha aberto capital — há planos para um IPO nos próximos anos —, a Revolut já foi avaliada em cerca de US$ 75 bilhões, muito próxima do valor de mercado do Nubank, estimado em US$ 77 bilhões.

Apesar das comparações, Mota evita tratar o Nubank como um concorrente direto. Para ele, os modelos de negócio são distintos.

“O Nubank é extremamente forte no Brasil e na América Latina. A Revolut nasceu global. Atuamos em mais de 40 países, com uma plataforma construída de forma nativa para operar internacionalmente. Os produtos são pensados globalmente e adaptados localmente, não o contrário”, disse.

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Brasil como mercado estratégico

Aqui, o executivo diz estar otimista. Com tecnologia referência, o país é um dos celeiros mais proeminentes para fintechs da América Latina. Ao todo, possui 2.048 fintechs em operação, segundo dados da associação do setor.

“É um mercado competitivo, mas o brasileiro é aberto a testar novas soluções e migra rápido quando percebe valor. Isso é uma oportunidade enorme, mas também exige inovação constante.”

Internamente, o Brasil já compete por prioridade com outros países.

“Nosso foco não é bater concorrentes locais, mas provar que cada cliente brasileiro tem um unit economics saudável. Se o Brasil performa melhor que a média global, ganha prioridade. Se cai, precisamos nos reinventar.”

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Um exemplo dessa filosofia foi a redução do spread de câmbio. Mesmo sem pressão competitiva direta, a empresa optou por baixar a taxa após ganhos de eficiência. “Dividimos a margem com o cliente para reforçar a proposta de ser a plataforma onde ele não precisa pensar.”

Veja os principais trechos da entrevista abaixo:

Money Times: Vocês chegaram ao Brasil com foco na conta global. Como está hoje a operação no país?
Glauber Mota: Começamos o projeto em 2022, com a abertura da empresa e o pedido de licença ao Banco Central.

Em maio de 2023, já estávamos autorizados a operar, com o time essencial montado e a primeira versão do produto no ar.

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Embora o mercado associe o início à conta multimoedas e ao cross-border, a missão sempre foi oferecer uma plataforma financeira completa, de ponta a ponta, no Brasil e no exterior.

Money Times: Então a conta multimoedas foi uma escolha estratégica?
Glauber Mota: Exatamente. Foi uma forma de entrar no mercado com um diferencial claro. Se tivéssemos começado por crédito ou produtos muito locais, seríamos apenas mais um player, com pouco reconhecimento de marca e custo de capital mais alto.

A conta global ajudou a mostrar a qualidade do produto, gerar receita rapidamente e convencer a matriz a priorizar o Brasil frente a outros mercados, como México e Índia.

Money Times:  Quando começa a virada para produtos mais locais?
Glauber Mota: A partir de 2024. O Brasil tem uma infraestrutura financeira muito avançada, com Pix, Open Finance e meios de pagamento eficientes.

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Ao longo de 2024, lançamos Pix, boletos, integração com Open Finance, melhoramos o câmbio, ampliamos benefícios no cartão de débito e começamos a estruturar o crédito.

Em 2025, isso virou produto: lançamos cartão de crédito, soluções de savings, investimentos no exterior, ações americanas, ETFs e ampliamos a oferta de cripto.

Money Times: O foco agora está nos cartões premium?
Glauber Mota: Estamos avançando nessa frente, sim. Primeiro lançamos um cartão de crédito mais simples, para aprender sobre comportamento e risco.

Isso acelerou o projeto de um cartão premium, mais alinhado ao que o brasileiro já conhece, como Black e Infinite, com salas VIP, benefícios em viagens e serviços.

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A diferença é que, aqui, o cliente pode escolher o plano de benefícios independentemente do limite de crédito, inclusive pagando como uma assinatura.

Money Times: E o cartão Ultra, o que muda?
Glauber Mota: O Ultra é um passo além. É quase um clube exclusivo.

O cartão traz a identificação de ‘Ultra Member’ e oferece benefícios superiores aos planos premium tradicionais, como acesso ilimitado, pontuação mais alta e um pacote mais amplo de subscriptions.

Já existe em outros mercados e estamos adaptando a proposta ao gosto do brasileiro.

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Money Times: Isso não restringe a atuação à alta renda?
Glauber Mota: Essa é uma percepção comum, mas não reflete totalmente a realidade. O produto inicial naturalmente atraiu quem já tinha interesse no exterior.

Mas, com Pix e uso no dia a dia, mais de um terço da base já utiliza a conta como banco principal. Além disso, mesmo no débito, clientes podem acessar benefícios premium pagando planos mensais acessíveis. Isso democratiza vantagens que antes eram restritas a quem tinha alto limite de crédito.

Glauber Mota:  E o crédito para a baixa renda?
Money Times: Crédito no Brasil é complexo: juros altos, risco elevado e um ambiente muito diferente da Europa. Não é algo que se replica facilmente.

Estamos aprendendo, formando time e amadurecendo a operação. O crédito nunca foi o carro-chefe inicial, mas pode se tornar. Faz parte do roadmap, à medida que ganhamos escala e conhecimento.

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Money Times: Qual a importância do Brasil dentro da estratégia global?
Glauber Mota: O Brasil é um mercado-chave. É competitivo, tem players fortes e consumidores abertos a testar novas soluções. O brasileiro migra rápido quando percebe valor. Isso é uma oportunidade e um desafio: exige inovação constante.

Internamente, competimos por prioridade com outros países. Se o unit economics do Brasil evolui melhor que a média global, ganhamos mais investimento e atenção.

Money Times: A Revolut se posiciona como alternativa ao Nubank?
Glauber Mota São modelos diferentes. O Nubank é extremamente forte no Brasil e na América Latina. A Revolut nasceu global.

Atuamos em mais de 40 países, com uma plataforma construída de forma nativa para operar internacionalmente. Produtos são pensados globalmente e adaptados localmente, não o contrário. Isso faz diferença para quem tem necessidades internacionais.

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Money Times: E a disputa entre bancos e fintechs sobre tributação?
Glauber Mota: As mudanças regulatórias tornam a entrada de novos players mais cara, o que tem prós e contras. Pode reduzir inovação, mas aumenta a solidez do sistema.

Para nós, o impacto [de um eventual aumento de tributos sobre fintechs] é menor porque sempre tivemos a ambição de ser um banco completo. Nosso plano já considera o nível mais alto de compliance, governança e tributação.

Money Times: A Revolut pretende virar banco no Brasil?
Glauber Mota: Sim, essa sempre foi a missão. Já seguimos esse caminho em outros países, como México, Colômbia e na Europa.

No Brasil, respeitamos o ritmo do Banco Central. Começamos com uma licença mais robusta e estamos preparados para avançar quando houver maturidade operacional e regulatória.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. É também setorista de setor financeiro. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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