Ricardo Mussa destaca ‘show técnico’ do agronegócio na COP30 e projeta volta ao setor privado; ‘2025 serviu como um MBA’
O agronegócio viveu algo novo durante a COP30, que aconteceu em Belém do Pará e chegou ao fim na semana passada. Pela primeira vez, o setor teve um pavilhão dedicado à agricultura e batizado de AgriZone.
A área, coordenada pela Embrapa em colaboração com o IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), procurou colocar o setor como parte central das discussões sobre o clima, algo inédito na história das Conferências das Partes.
O chair do SB COP30, Ricardo Mussa, disse ter adorado a Agrizone e citou ter visto poucos protestos contra o setor durante o evento. Para ele, o agronegócio brasileiro realizou um “show técnico” e o mundo passou a respeitar mais a atuação do setor.
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“Vi pouca gente ‘jogando tomate’ na gente, o que é um bom sinal. Acho que conseguimos ter conversas muito importantes, e principalmente discussões sobre a métrica certa para medição das emissões da agricultura tropical versus agricultura temperada”.
Ele lembra que o Brasil representa o Global South (Sul Global) e que muito da expansão agrícola global ocorrerá na África e Sudeste Asiático, que também contam com agricultura tropical. O ponto chave fica para necessidade de avançarmos na medição das métricas de emissões globais.
“As métricas da Europa, para agricultura temperada, consideram que a raiz de uma planta é de 30cm e aqui no Brasil é 2 metros. Nós capturamos muito mais carbono do que lá e eles não reconhecem isso ainda. Mostramos tudo isso com técnica e ciência. As lideranças do agro deram um show de técnica para mostrar para o resto do mundo que nosso agronegócio é o mais sustentável do mundo”.
Os próximos passos para Ricardo Mussa
Nas palavras de Mussa, o ano de 2025 e o trabalho com o SB COP30 serviu como um MBA tardio.
“Sempre me arrependi de nunca ter feito um MBA. Na minha carreira, nunca parei para fazer isso. O network que eu criei nesse período, com países e empresas diferentes, culturas diferentes. Eu nunca teria tido essa oportunidade de viajar como eu viajei, falar com CEOs de mais de 150 empresas assuntos, falar com governos. Tudo isso somou muito para mim”.
O líder do setor na COP30 espera voltar para o mercado privado e faz um último balanço sobre a COP da Amazônia.
“Ainda fico com o sentimento de que poderia feito mas coisas, mas sem arrependimentos. Deixo lições aprendidas para o meu sucessor. Trabalhar pro bono traz uma sensação diferente, de poder fazer algo com muita liberdade de espírito e desenvoltura para entregar, é uma grande satisfação pessoal. Espero que a gente possa olhar lá na frente e ver o SB COP como um dos legados que o Brasil deixou”.