Safra coloca Raízen (RAIZ4) sob revisão após impairment de R$ 11 bilhões
O Banco Safra colocou a recomendação para as ações da Raízen (RAIZ4) sob revisão após a companhia reportar um prejuízo líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre da safra 2026 (3T26), fortemente impactado por uma provisão de R$ 11,1 bilhões relacionada a impairment — perda por desvalorização ou redução ao valor recuperável.
Segundo o banco, a baixa contábil — que atinge ativos como impostos diferidos, imobilizado e goodwill (ágio por expectativa de rentabilidade futura) — reflete o elevado nível de alavancagem da empresa e as atuais condições do mercado de crédito, que aumentam a incerteza sobre a geração de caixa e podem afetar as operações.
Apesar de ter efeito não caixa e poder ser revertida no futuro, a provisão evidencia a complexidade da estrutura financeira da companhia.
Diante do cenário, o Safra afirmou que aguarda maior clareza sobre um novo plano de turnaround. A casa mantém a avaliação de que a Raízen pode equacionar a estrutura de capital por meio de um aumento de capital e/ou da aceleração do plano de venda de ativos, mas pondera que a ausência de medidas mais definitivas até o momento sustenta a decisão de colocar a recomendação em revisão.
Operacional dividido
O Ebitda ajustado consolidado somou R$ 3,15 bilhões, queda de 3% na comparação anual e levemente abaixo das estimativas do Safra. O desempenho foi puxado por resultados sólidos na divisão de Mobilidade Brasil, com margens acima do esperado e melhora no ambiente competitivo.
Por outro lado, o segmento de Açúcar, Etanol e Bioenergia ficou abaixo das projeções, pressionado por menores volumes de etanol, preços mais fracos de açúcar e menor diluição de custos fixos.
Na América Latina, especialmente na Argentina, as margens melhoraram com a conclusão de investimentos na refinaria, permitindo a retomada da produção de derivados de maior valor agregado.
Alavancagem segue pressionada
Mesmo com a redução de estoques e entrada de recursos com venda de ativos, a alavancagem subiu para 5,3 vezes o EBITDA, ante 5,1 vezes no trimestre anterior. A dívida líquida encerrou o período em R$ 55,3 bilhões.
Para o Safra, rebaixamentos recentes de rating elevaram o custo de financiamento, enquanto a queda das ações pode tornar eventuais emissões mais dilutivas, o que pesa sobre a confiança dos investidores e mantém o risco financeiro no centro da tese para a Raízen.