Saída de estrangeiros da B3 atinge maior nível desde 2022, diz Elos Ayta
Após meses de forte ingresso de recursos internacionais na bolsa brasileira, maio marcou uma mudança no comportamento dos investidores estrangeiros. Dados compilados pela Elos Ayta mostram retirada líquida de R$ 14,91 bilhões da B3, o maior volume mensal de saídas desde 2022.
O levantamento da Elos Ayta considera apenas as operações realizadas no mercado secundário, sem incluir ofertas públicas de ações. De acordo com a análise, o resultado de maio supera o recorde anterior de saída líquida observado em agosto de 2023, quando os investidores internacionais retiraram R$ 13,21 bilhões do mercado brasileiro.
Quando são incluídos os aportes em IPOs e follow-ons, a saída líquida registrada em maio alcança R$ 13,27 bilhões. Segundo a Elos Ayta, também é o maior fluxo negativo da série iniciada em 2022, acima dos R$ 11,1 bilhões retirados em abril de 2024, que até então representavam o pior resultado.
Apesar da forte retirada observada no mês, os investidores estrangeiros seguem acumulando saldo positivo no ano. Os cálculos da Elos Ayta apontam ingresso líquido de R$ 41,63 bilhões entre janeiro e maio, desconsiderando IPOs e follow-ons.
Com a inclusão das ofertas de ações, o saldo positivo sobe para R$ 43,78 bilhões.
O movimento de maio ocorre após um início de ano marcado por expressivas entradas de recursos. Em janeiro, o fluxo líquido estrangeiro somou R$ 26,31 bilhões. Em fevereiro, os ingressos alcançaram R$ 15,40 bilhões, enquanto março registrou entrada líquida de R$ 11,66 bilhões.
Realização de lucros, juros altos nos EUA e aumento de cautela
Na avaliação da Elos Ayta, a mudança de direção no fluxo reflete uma combinação de fatores externos e domésticos.
Entre eles estão a realização de lucros após a valorização dos ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, a realocação parcial de recursos para mercados desenvolvidos diante da manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores globais em relação ao quadro fiscal brasileiro.
A análise também mostra uma perda de intensidade na participação dos investidores estrangeiros nas negociações da bolsa.
Em março, o volume financeiro movimentado por esse grupo ultrapassou R$ 500 bilhões tanto em compras quanto em vendas, atingindo o maior patamar da série recente. Desde então, o ritmo de negociação vem desacelerando por dois meses consecutivos.
Em maio, as compras realizadas por estrangeiros somaram R$ 379 bilhões, enquanto as vendas chegaram a R$ 394 bilhões. Para a Elos Ayta, a predominância das vendas ajuda a explicar o fluxo líquido negativo registrado no período.
Ainda assim, a casa ressalta que o resultado de maio não altera o quadro geral observado em 2026. Segundo a Elos Ayta, os investidores internacionais continuam sendo os principais responsáveis pela sustentação da liquidez e da valorização do mercado acionário brasileiro ao longo do ano.