Santander (SANB11): Lucro tomba 17,6%, vai a R$ 3 bilhões no 2T26 e frustra expectativas; ROE cai para 12,5%
O Santander (SANB11) deu o pontapé inicial nos resultados dos bancões com lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (29).
A cifra ficou abaixo do esperado pelo consenso reunido pela Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 3,4 bilhões.
Em relação ao trimestre anterior, o lucro caiu 20,4%.
Já o retorno sobre o patrimônio (ROE, na sigla em inglês), número olhado de perto por analistas, terminou o período em 12,5%, recuo de 3,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado e queda de 3,4 pontos percentuais contra o trimestre anterior. Com a Selic em 14,25%, agora o banco opera com ROE abaixo do custo de capital.
A média da Bloomberg aguardava ROE de 14,5%.
Dessa forma, o Santander fica ainda mais distante do número mágico de 20% esperado pelo mercado e pela própria administração, que tem a ambição de entregar a cifra até 2028.
Antes do balanço, os mercados já esperavam um resultado mais morno para o Santander, com analistas atentos à evolução do crédito, à qualidade dos ativos e ao custo do risco, enquanto as ações acumulavam queda de 17% no ano.
Inclusive, já havia um bom indicativo disso: o Grupo Santander Espanha divulgou seu resultado, com lucro líquido consolidado de R$ 3,6 bilhões para sua operação brasileira (queda de 3% no trimestre e alta de 3% no ano).
É o primeiro trimestre do banco sem Mário Leão, que renunciou ao cargo de CEO. Gilson Finkelsztain assumirá com o desafio de entregar ROE de 20%.
Desde que começou seu processo de recuperação, após uma sequência de balanços negativos em 2023, o banco continua se mostrando seletivo e conservador na originação, priorizando segmentos de melhor relação risco-retorno.
O que explica o tombo do Santander?
Salta aos olhos a disparada da provisão para devedores duvidosos (PDD), colchão usado pelos bancos para se proteger de calotes, que totalizou R$ 7,6 bilhões, salto de 20,6% no trimestre e de 11,5% no ano.
No documento, o banco cita ‘efeitos pontuais de reforços de provisão de casos do atacado’, ou seja, alguma empresa em meio à onda de recuperações extrajudiciais que estamos assistindo no mercado, além da revisão dos critérios de baixa a prejuízo.
Porém, a economia também fez seu estrago: houve impactos concentrados em carteiras específicas, em ‘um ambiente de crédito ainda desafiador’.
‘Seguimos atuando com prudência e disciplina na gestão de riscos e construindo uma carteira mais resiliente aos ciclos macroeconômicos’, diz.
A boa notícia é que o índice de inadimplência de 15 a 90 dias, a chamada inadimplência curta, encerrou o trimestre em 3,3%, leve queda de 0,04 ponto percentual no trimestre e estabilidade no ano.
Na inadimplência longa, acima de 90 dias, houve avanço de 0,7 ponto percentual, para 3,3%.
‘Ambas as variações foram influenciadas também pelo maior volume de baixas a prejuízo associado à implementação dos critérios revisados de recuperabilidade nas carteiras de varejo’, destaca.
Carteiras do Santander
Mesmo em um ambiente ainda ruim, o banco mostrou apetite: a carteira de crédito subiu 5,8% no ano, para R$ 715 bilhões.
O desempenho foi impulsionado pelo avanço:
- de 5,6% na financeira;
- de 1,4% em grandes empresas; e
- em pequenas e médias empresas, com alta de 2,4%,
Seguindo a sua maior ‘seletividade’, o banco reduziu a carteira de pessoas físicas, com queda nas carteiras de consignado e crédito pessoal/outros, “alinhadas à nossa estratégia de redução da exposição ao segmento massivo”.
Por outro lado, aumentou a participação em cartões e crédito imobiliário, “com destaque para a alta renda”.
Receitas e margens estáveis
As receitas totais se mantiveram praticamente estáveis. As linhas somaram R$ 20,7 bilhões, aumento de 0,4% na comparação anual, mas queda de 2,7% em relação ao trimestre.
Do lado da margem financeira, houve mais quedas: recuo de 3,0% no trimestre e 0,4% em doze meses, para R$ 15,3 bilhões.
Segundo o banco, o número refletiu a sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros.
A margem com cliente seguiu o embalo e caiu 0,4% no ano e 3,2% no trimestre, para R$ 16,1 bilhões.
A queda, segundo o banco, é explicada principalmente pela mudança na composição da carteira, com menor participação do segmento massivo, que costuma apresentar spreads mais altos.
O banco também fez a lição de casa.
Segundo o Santander, “as despesas seguem sob rigoroso controle”, com queda de 0,8% no trimestre e com alta de 2,6% no ano, significativamente abaixo da inflação observada no período. Ao todo, o banco ‘gastou’ R$ 6,5 bilhões.
“Seguimos comprometidos com a gestão eficiente de custos e com o uso intensivo de tecnologia para simplificar processos e maximizar a produtividade”