SAUD3: o mercado já puniu demais a Bradsaúde ou balanço vai trazer mais pressão?
A sinistralidade volta a ser o principal teste para a Bradsaúde (SAUD3). Depois de uma reação negativa do mercado aos resultados do segundo trimestre, a operadora chega à nova temporada de balanços com a expectativa de que as despesas médicas continuem pressionando as margens — e de que o resultado financeiro perca parte do fôlego.
O consenso dos analistas aponta para uma sinistralidade próxima de 85,5% entre julho e setembro, acima dos 83,8% registrados no trimestre anterior. Ao mesmo tempo, a contribuição dos investimentos para o lucro deve diminuir, reduzindo uma das fontes de sustentação dos resultados recentes.
A dúvida é se a combinação será suficiente para prolongar a desconfiança dos investidores ou se a ação já incorporou boa parte das notícias negativas.
Para o UBS BB, um balanço fraco, mas em linha com as expectativas, pode ajudar a estabilizar a percepção do mercado. Uma deterioração maior do que a prevista, por outro lado, tende a manter a pressão sobre os papéis.
Custos médicos e resultado financeiro no radar no 3T26
A sinistralidade mede quanto da receita dos planos de saúde é consumida pelas despesas assistenciais. A alta esperada reflete fatores como inflação médica, maior utilização dos serviços, judicialização e dificuldade de repassar integralmente os custos aos preços dos planos.
O Santander avalia que uma desaceleração da piora desse indicador pode limitar a reação negativa das ações. Já o BTG Pactual destaca que a comparação anual será afetada pela sinistralidade particularmente baixa registrada no terceiro trimestre de 2025.
Do lado financeiro, a XP Investimentos projeta um resultado de R$ 750 milhões, ante cerca de R$ 930 milhões no segundo trimestre.
A redução está relacionada, em parte, à carteira de títulos concentrada em papéis atrelados à inflação, que tendem a render menos quando a variação do IPCA é baixa.
O BTG não espera grandes surpresas no período e avalia que eventuais perdas de marcação a mercado desses títulos podem ser parcialmente revertidas no quarto trimestre.
Crescimento da carteira pode ajudar a Bradsaúde
A expansão da base de beneficiários continua entre os pontos favoráveis à companhia. A XP espera que o avanço da carteira impulsione as receitas, enquanto o BTG prevê ganhos de participação de mercado, especialmente nos planos para pequenas e médias empresas (PMEs).
“Esperamos ganhos contínuos de participação de mercado, especialmente nos planos para PMEs, embora as adições líquidas devam desacelerar após um segundo trimestre particularmente forte”, avaliam os analistas do BTG.
O desafio será transformar esse crescimento em rentabilidade, sem deixar que as despesas médicas avancem em ritmo superior ao das receitas.
O que esperar das ações SAUD3?
A reação ao balanço anterior mostra a sensibilidade do mercado à sinistralidade. Apesar de a Bradsaúde ter registrado alta de 25% no lucro líquido e receita financeira de R$ 930 milhões no segundo trimestre, os papéis recuaram cerca de 12% após a divulgação, pressionados pelo indicador operacional acima das expectativas.
A desconfiança voltou a crescer no fim de setembro. Entre os dias 21 de setembro e 1º de outubro, as ações tiveram desempenho cerca de 10 pontos percentuais inferior ao do Ibovespa, enquanto a posição vendida nos papéis subiu de aproximadamente 3,7% para quase 6%.
“Essa nova alta acompanhou o aumento do ceticismo dos investidores em relação ao resultado de sinistralidade do 3T26”, avalia o UBS BB.
Apesar das incertezas, Citi e UBS BB mantêm recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 20 e R$ 19, respectivamente. O Citi projeta crescimento de 19% no lucro por ação entre 2026 e 2027, enquanto o UBS BB estima um dividend yield de 7% em 2027.
O BTG também mantém a Bradsaúde entre suas preferidas no setor, citando o crescimento da carteira e o potencial de rentabilidade. Já o Santander vê espaço para recuperação após o desempenho recente mais fraco das ações.
“A Bradesco Saúde oferece o maior potencial de valorização após seu desempenho recente mais fraco, tornando a ação mais atraente, apesar de seu perfil de beta mais baixo e de ser uma companhia com posição líquida de caixa”, afirmam os analistas.
No curto prazo, o balanço deve mostrar se a pressão sobre os custos médicos está evoluindo conforme o esperado.
Para sustentar uma recuperação mais consistente dos papéis, a companhia precisará dar sinais de que consegue recompor as margens sem comprometer o crescimento, avaliam os analistas.