Análise Macro

“Se não fizermos a lição de casa, vamos sofrer”: o alerta do CEO do BTG para o Brasil

20 out 2026, 21:54
O CEO do BTG Pactual (BPAC11), Roberto Sallouti, e a CEO da Na Prática, Anamaíra Spaggiari. Eduardo FrazãoNa Prática
O CEO do BTG Pactual (BPAC11), Roberto Sallouti, e a CEO da Na Prática, Anamaíra Spaggiari. Foto: Eduardo Frazão/Na Prática

O período de dinheiro barato e globalização acelerada ficou para trás — e os países que não se adaptarem às novas condições poderão pagar um preço alto. Para Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual (BPAC11), as próximas décadas serão marcadas por juros mais elevados, tensões geopolíticas e transformações tecnológicas que exigirão preparo de empresas, governos e profissionais.

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Nesse cenário, o Brasil precisa avançar nas reformas e na modernização da economia para não perder competitividade, segundo Sallouti.

“Se não fizermos a lição de casa como país, vamos sofrer as consequências”, afirmou o executivo durante um painel sobre educação e carreira em evento nesta terça-feira (20).

Na avaliação de Sallouti, a mudança no ambiente econômico global já está em curso. Depois de anos de juros próximos de zero, especialmente a partir da crise financeira de 2008, o custo do dinheiro voltou a subir, tornando o financiamento mais caro e as decisões de investimento mais complexas.

O desafio não se limita à política monetária. Sallouti também chamou a atenção para a fragmentação da ordem geopolítica, em um momento de maior protecionismo, conflitos e disputas comerciais.

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Depois de décadas de integração entre economias, o cenário internacional se tornou menos previsível, o que pode dificultar o comércio e os negócios.

“Hoje vivemos em um ambiente global polarizado, com protecionismo, mais conflitos e mais guerras”, afirmou.

IA e mudanças climáticas entram na conta

Além dos juros e das tensões internacionais, o CEO do BTG apontou a inteligência artificial (IA) e as mudanças climáticas como fatores que devem influenciar a economia nas próximas décadas.

Para Sallouti, a IA representa uma transformação comparável às grandes revoluções industriais e já deveria fazer parte da rotina de quem pretende se manter competitivo no mercado de trabalho.

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“A inteligência artificial é o novo Excel”, disse, ao defender que os jovens aprendam a utilizar a tecnologia.

As mudanças climáticas, por sua vez, também precisam entrar no planejamento das empresas e nas decisões de negócios, segundo o executivo.

Juntas, essas transformações ampliam a necessidade de qualificação profissional e de adaptação a um ambiente econômico em rápida mudança.

O que o Brasil precisa fazer, segundo o CEO do BTG

Para o Brasil, a combinação de capital mais caro, tensões geopolíticas e mudanças tecnológicas torna a modernização da economia ainda mais importante, afirma o CEO do BTG.

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Na visão de Sallouti, sem avanços que fortaleçam a produtividade e a competitividade, o país terá mais dificuldade para aproveitar oportunidades e enfrentar os desafios do cenário internacional.

A necessidade de adaptação, porém, também pode abrir espaço para novos negócios e iniciativas capazes de solucionar problemas do país. É nesse ponto que o executivo destaca o papel da educação, da qualificação e do empreendedorismo.

“O Brasil está cheio de problemas, então o que precisamos é de gente qualificada, capacitada, com o coração no lugar e empreendedora para ajudar o Brasil a se transformar”, afirmou.

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Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.
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