Economia

Sem susto, inflação em quase 12% não agrada

08 jul 2022, 12:28 - atualizado em 08 jul 2022, 13:26
Supermercado
Em junho, a inflação ficou em 0,67%. (Imagem: REUTERS/Kim Kyung-Hoon/File Photo)

Em junho, a inflação registrou aceleração. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a alta no período foi de 0,67% – acima da taxa de maio, de 0,47%.

Não teve susto. Na verdade, a taxa veio abaixo da projeção dos analistas que girava em torno de 0,70%; e muito próxima da previsão do IPCA-15, que subiu 0,69%. “Surpreendeu positivamente as expectativas. A principal surpresa foi no segmento de artigos de residência e transporte, que já vê os efeitos na queda do preço dos combustíveis”, afirma Rafael Marques, CEO da Philos Invest. “

O que não está sendo visto com bons olhos pelo mercado é o acumulado de 12 meses: em junho, essa taxa ficou em 11,89%. Já são dez meses consecutivos de IPCA em dois dígitos. Além disso, trata-se do registro mais próximo do pico da inflação. De acordo com o mercado, abril foi quando a inflação chegou ao seu patamar máximo, de 12,13% – depois disso, os preços dariam uma trégua.

“Apesar da surpresa positiva no IPCA de junho, ainda estamos falando de uma inflação com qualitativo muito ruim. As médias dos núcleos de inflação seguem rodando próximo a 1%. No acumulado de 12 meses, a média dos núcleos também segue acelerando: foi de 10,11% em maio para 10,68% em junho”, afirma Luis Menon, economista da Garde.

Para Rodrigo Sodré, economista e sócio da BRA, a alta reforça a necessidade de uma taxa de juros alta. “Mesmo com essa queda de energia, tivemos uma alta de 0,67%, comprovando que o Banco Central está correto nessa elevação mais pesada da Selic. Estamos com uma alta acumulada de quase 12%. O dado veio alto e a expectativa do mercado não era essa”

O que esperar para julho

Para o próximo mês, a expectativa é de que as mudanças no ICMS comecem a trazer mais resultado na inflação. “O número de hoje já refletiu um pouco do corte de impostos – o que poderia explicar a deflação observada na gasolina. Olhando à frente, entendemos que o corte do ICMS sobre combustíveis deve contribuir para uma desinflação de 0,8% no IPCA de julho ao passo que haverá uma contribuição crescente de itens mais inerciais da cesta de consumo. Assim, projetamos um IPCA de 7,3% para 2022”, destaca Eduardo Vilarim, economista do Original.

De acordo com Cassiano Konig, sócio da GT Capital, no segundo semestre, deve acontecer um arrefecimento do cenário inflacionário com queda de 2,5% a 3%.“O dólar subindo pode contribuir de forma negativa, além das pautas relacionadas ao estímulo da economia aumentando benefícios. Isso pode aquecer mais a demanda. O mercado já projeta alta de 0,5% nos juros. Como a Selic mais elevada deve perdurar por tempo maior e queda da inflação deve iniciar somente a partir do segundo semestre do ano que vem”, completa.

Já Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, destaca que, apesar de a inflação de alimentos seguir em alta, a tendência é de desaceleração. “A queda das commodities agrícolas a partir de junho aponta para um alívio na inflação de alimentos nos próximos meses, mesmo sendo parcialmente compensada pela alta recente do dólar.”

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Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como editora-chefe no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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