Imposto de Renda

Senado avalia projeto para isentar quase 1 milhão de militares e policiais civis do imposto de renda

16 jun 2026, 12:42 - atualizado em 16 jun 2026, 12:43
senado dosimetria
Senado avalia projeto para isentar militares e policiais civis do DF (Foto: Reuters/Adriano Machado)

O Senado iniciou a tramitação do projeto de lei 2557/2026 que concede isenção total do Imposto de Renda Pessoa Física (IRFF) sobre os rendimentos de todos os integrantes das Forças Armadas, polícias militares e corpos de bombeiros, ativos, inativos e reformados. O texto originado da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa teve uma emenda do senador Izalci Lucas (PL-DF), que estendeu o benefício aos servidores da Polícia Civil do Distrito Federal.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Dados consolidados do Ministério da Defesa e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a medida deve retirar da base de contribuintes da Receita Federal cerca de 450 mil militares das Forças Armadas, 405 mil policiais militares, 67 mil bombeiros e 5 mil policiais civis do Distrito Federal, um contingente de 927 mil profissionais isentos.

Por isso, o projeto e a possível renúncia fiscal acendeu alerta dos governos federal, estaduais e distrital. A proposta aguarda despacho da Secretaria-Geral da Mesa Diretora do Senado para o crivos legal e orçamentário das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE).

Historicamente, as desonerações sobre a folha e a renda de servidores públicos estão entre as principais pressões sobre o rombo nominal do setor público. Embora o projeto não fixe o valor nominal da perda de receita, o volume de beneficiários pressiona diretamente os caixas dos governos e as metas de resultado primário fixadas pelo Ministério da Fazenda.

O principal ponto de atrito é o descumprimento preliminar do Artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal. A legislação federal exige que qualquer projeto que resulte em renúncia de receita venha acompanhado de uma estimativa do impacto orçamentário e de uma medida de compensação equivalente, seja por meio do aumento de outros tributos ou pelo corte definitivo de despesas, o que não ocorre no texto atual.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No relatório oficial da comissão, o colegiado optou por transferir essa responsabilidade, e justificou que o detalhamento dos cálculos econômicos e os limites orçamentários devem ser construídos ao longo dos debates nas comissões temáticas, com o apoio técnico do Poder Executivo. Para analistas fiscais, essa brecha técnica funciona como um empurra-empurra político e joga toda a pressão para o Ministério da Fazenda, que tenta defender as travas do Novo Arcabouço Fiscal contra a pressão de categorias setoriais.

*Com orientação de Gustavo Porto

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Juliana Rodrigues é estudante de jornalismo na Unifatecie. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar