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Sidnei Nehme: Ansiedade e relativa na baixa do dólar inibe apreciação do real

25/09/2018 - 8:10

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

Açodados pelos excessivos boatos, temores e tensões habilmente implementados diariamente no mercado cambial, ainda que sem fundamentos sustentáveis, alguns investidores/especuladores do mercado de câmbio revelam-se ansiosos e relativamente inseguros e incrédulos quanto ao viés de baixa do preço do dólar, que tende a se consolidar gradualmente.

Certamente, acreditavam que às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, o preço da moeda americana, como fortemente propagado pelo movimento especulativo que foi implantado neste segmento, estivesse no entorno de R$ 5,00 ou mais.

Desta forma, a uma queda do preço da moeda americana do patamar de R$ 4,20 para R$ 4,04, ocorrida na sexta 21, algo como 3,85%, incrédulos investidores/especuladores insinuam movimento de demanda por “hedge” acreditando oportuno por ainda não estarem convictos da inversão da tendência e até buscando dar suporte ao preço.

Esta atitude acaba por inibir a rapidez da segura tendência de apreciação do real, provocando volatilidade e até mesmo certa resistência à tendência, mas não é bastante para revertê-la de forma eficaz, somente retardá-la pontualmente.

O fato é que na medida em que vai se delineando a perspectiva sinalizando polarização na disputa presidencial, contrariamente às expectativas o grau de pressões tensionais cederam e, também, parece que grande parcela dos especuladores perdeu o “discurso dos temores” na medida em que o BC, corretamente, se mantém ausente do mercado como que ignorando a pressão especulativa.

Por outro lado, se acentua a percepção de que, à margem das pregações ideológicas, vai se tornando perceptível que seja qual for o próximo Presidente, a solidez da situação cambial brasileira não será afetada e há farta e segura evidência deste fato concreto e isto fragiliza a sustentabilidade da especulação.

Por isso, não se pode descartar que a volatilidade que ocorre seja uma busca provocativa para “chamar” o BC ao mercado, para de certa forma validar uma pressão de demanda muito improvável. Não acreditamos que a autoridade monetária vá proceder a nenhuma ação de intervenção no mercado, visto que tem mantido correta postura de observar sem intervir ao longo do movimento sabendo-o inconsistente.

O déficit em transações correntes de agosto veio abaixo das estimativas e os dados revelados pelo BC não ensejam preocupações visto que o nível de investimentos externos está bastante confortável para prover o financiamento.

As contas externas brasileiras e o saldo de reservas cambiais faz do Brasil um emergente absolutamente diferente dos demais neste momento, sem quaisquer riscos de crise cambial.

O Boletim FOCUS do BC de 21 divulgado ontem, que divulga medianas das projeções do mercado financeiro, aponta elevação para o IPCA de 4,09% para 4,28%, com viés de alta, reduz discretamente o PIB de 1,36% para 1,35%, eleva o dólar de R$ 3,83 para R$ 3,90 e mantém a SELIC em 6,50%.

Temos discretas divergências nas projeções. Para o IPCA sinalizamos alta até o entorno de 4,50%, o PIB para próximo de 1%, o dólar em R$ 3,80 e a SELIC sem divergências em 6,50%.

Não projetamos mudança de atitude por parte do COPOM na próxima reunião e esperamos a manutenção da taxa SELIC em 6,50%, até porque acreditamos que o preço dólar sofrerá depreciação até R$ 3,80, o que aliviará eventuais pressões inflacionárias episódicas que deverão ser revertidas.

Volatilidade poderá ser uma constante no mercado cambial, sem, contudo, reverter o viés de baixa no preço do dólar, pois os especuladores estão correndo o risco de ver se pulverizar rapidamente suas margens de ganho com o movimento que não atingiu os parâmetros almejados de alta e pode retroceder a parâmetros extremamente baixos que os surpreenderá e poderá até neutralizar seus ganhos.

A verdade é que não há como dar sustentabilidade a continuidade do preço do dólar como sensor das dúvidas e incertezas em torno das perspectivas econômicas para o país na próxima gestão presidencial, visto que a situação cambial do país está seguramente blindada por reservas cambiais substantivas e operacionalidade da autoridade monetária pontual para atender demandas verdadeiras, seja por proteção cambial, seja no mercado à vista.

2018 na questão cambial não guarda, no Brasil, nenhuma sinergia com 2002 e nem com 2008.

Tomar “hedge” nos parâmetros de taxas de câmbio atual é inegavelmente um considerável risco.

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Última atualização por Victor Fermino - 25/09/2018 - 8:10

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