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Sidnei Nehme: Política não permite otimismo precipitado, ativos devem apresentar volatilidade

06/08/2018 - 11:51

Por Sidnei Moura Nehme, economista e diretor executivo da NGO

Definidos os candidatos e seus vices à corrida presidencial não acreditamos que haja melhora das perspectivas sobre convicções de preferências do eleitorado, e, assim sendo, mesmo que o mercado financeiro busque demonstrar bom humor insinuando melhora de ambiente às suas convicções sinalizando isto na indução de comportamento dos preços dos ativos, acreditamos que ainda perdurarão muitas incertezas.

Quem lidera? Não se tem efetiva convicção a respeito.

O ex-Presidente Lula, posto como candidato, e com 2 vices em primeiro e segundo plano, sugere que já tem um plano B à sua impugnação. Com os dados atuais que atribuem de 30% a 35% de preferência do eleitorado a sua postulação, não é possível se imaginar que o indicado dele, na confirmação de seu impedimento, não “herde” de 30% a 50% do apoio que concentra atualmente, e isto poderia colocar o seu indicado numa situação “ombro a ombro” com os ditos líderes das pesquisas no momento.

Aliás, nos parece sensato que seja aguardada as novas pesquisas, pois os índices de preferências podem sofrer mutações, embora as entrevistas/debates até o momento não tenham contribuído para melhor definição, pois os candidatos pouco revelaram no que deveria ser ponto central das abordagens e os arguidores se mostraram despreparados para abordagem prospectiva e se ativeram a fatos passados, quando o que interessa é o futuro.

Desta forma, entendemos que com o quadro de postulantes suas possibilidades efetivas começaram a ser melhor identificadas pelo eleitorado, a despeito do substancial desinteresse, de forma mais concreta e poderá haver surpresas.

Então é extremamente sensato observar-se os movimentos atípicos no momento do mercado financeiro, em especial no segmento de ações e de dólar, com bastante serenidade e precaução, pois nem tudo pode estar alinhado com a efetiva tendência.

A despeito do fato isolado do lucro da Petrobrás, bom para os acionistas, mas péssimo para a percepção popular que foi aviltada com os preços dos combustíveis, não há razões em perspectiva confiáveis que possam dar suporte a tendência de alta da Bovespa, sendo bastante provável que ocorra movimento de realização dada a incerteza ainda predominante e preocupante, e, com forte evidência de que a atividade econômica tende a perder tração, que já não é expressiva, e deixe sem perspectivas incrementos de investimentos, recuperação de emprego, renda e consumo e não se vislumbre, até o momento, quaisquer indicações dos candidatos como, de forma séria e não retórica, se solucionará a relevante crise fiscal.

A crise brasileira tem vetores negativos em demasia para soluções “mágicas”, como aventadas por uns dois candidatos, de zeragem do déficit fiscal em dois anos, e uma gama de problemas estruturais e conjunturais que podem comprometer todo e qualquer propósito do novo governo até que sejam encaminhados com soluções sérias.

Como temos enfatizado, o trimestre envolvendo agosto-outubro tende a ser estagnante à atividade econômica brasileira, o hiato é absolutamente compreensível dado o “status quo” da situação econômica-política-jurídica do país que suscita dúvidas e incertezas que continuam perdurando de forma concreta.

O quadro atual não sugere apreciação insinuada pelo preço da moeda americana, que pode até retroceder ou ser impulsionada pelo resultado efetivo das eleições considerando o eleito e sua programática de gestão.

Neste momento, o patamar no nosso entendimento é no entorno de R$ 3,80 e o BC deverá continuar a “assistir sem intervir”, bastando que realize a rolagem rotineira do estoque de swaps colocados no mercado.

Embates entre comprados e vendidos em dólar (swaps, dólar futuro, cupom) aos finais dos meses serão normais, visto que há elevados posicionamentos em confronto, e isto será inevitável.

Poderá haver alguma pressão, psicológica se a candidatura dos sucedâneos a Lula ganharem dimensão maior, e este é um ponto de incógnita, mas nada que seja excessivamente exacerbado, embora consideremos que seria um fator imponderável, portanto não sensível a intervenção do BC com os seus mecanismos.

A guerra comercial a partir do eixo China-Estados Unidos e já envolvendo economias mais expressivas tende a um longo enfrentamento retórico e muitas reuniões entre as partes. Fatos novos se renovam continuadamente e causam ruídos, mas as efetivas consequências tende a se materializarem ainda num momento próximo, e sabidamente haverá perdas para todos os lados.

O Brasil sendo grande produtor de commodities poderá ter alguns benefícios, mas a rigor não se espera que os emergentes obtenham ganhos efetivos confrontados com as perdas.

O foco brasileiro deverá se acentuar fortemente no ambiente político interno que deverão ter forte impacto nas posturas operacionais e na racionalidade que deve prevalecer com observância do risco Brasil .

Isto deverá predominar na formação de preços e comportamentos dos principais segmentos do mercado financeiro brasileiro, que tende a repercutir fundamentos nativos.

O único conforto que há no momento é que o país não tem risco de crise cambial, sabendo-se que o BC ter poder limitado de interferência, limitada a prover o mercado com liquidez seja por proteção seja por demanda à vista.

Fatores imponderáveis não estarão sensíveis a intervenções da autoridade monetária, mas acreditamos que a grande maioria já esteja agregada ao preço no entorno de R$ 3,80, restando tão somente algum espaço para surpresas relevantes e negativas no processo sucessório.

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Última atualização por Conrado Mazzoni - 06/08/2018 - 11:51

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