Estados Unidos (EUA)

Sinais de que o Fed pode não estar perseguindo a meta de inflação de 2%; confira

17 jun 2024, 12:07 - atualizado em 17 jun 2024, 12:07
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Em sua última reunião, o Fed optou pela manutenção nos juros no intervalo entre 5,25% e 5,50%. (Imagem: REUTERS/Joshua Roberts)

O Federal Reserve vem se mostrando cauteloso quando o assunto é início do seu afrouxamento monetário. O banco central americano diz que está em busca de um patamar suficiente para garantir a ancoragem da inflação em 2%.

No entanto, segundo relatório da Genial Investimentos, as leituras mais recentes de atividade e inflação nos Estados Unidos geram questionamentos em torno do nível de restrição dos juros no país.

“Alguns sinais sugerem que o Fed pode não estar perseguindo a meta de inflação, entre eles: a leniência com as expectativas desancoradas, deixando a percepção de que a função reação do banco central atribui pouco peso nesse fator na condução da política monetária; o fato de os juros reais terem demorado para chegar em terreno positivo, sendo interpretado pelo mercado como uma acomodação do processo inflacionário por parte do Fed; e a percepção, apoiada em muitos indicadores antecedentes, de que a economia norte-americana corria sérios riscos de entrar em recessão”, diz o texto.

Na semana passada, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) optou pela manutenção nos juros de referência dos Estados Unidos. A taxa segue no intervalo entre 5,25% e 5,50% pela sétima reunião consecutiva.

Jerome Powell disse que os números melhores do que o esperado da inflação de maio são “bem-vindos”. No entanto, lembrou que o Fomc precisa de mais dados positivos para ter confiança para começar a cortar os juros

“Vemos o CPI de hoje como um progresso e um reforço da confiança, mas ainda não temos confiança suficiente para começar a afrouxar a política monetária”, disse em entrevista coletiva na semana passada.

EUA: Expectativas de inflação estão desancoradas

Os analistas José Márcio Camargo, Yihao Lin, Lucas Farina, Gabriel Pestana e Pedro Alfradique, que assinam o relatório, destacam que a meta de inflação real perseguida pela autoridade monetária possui um componente não observável que pode flutuar no tempo.

“Nossos resultados sugerem que, dada a atual dinâmica da taxa de juros e inflação, bem como um hiato do produto aberto e uma taxa neutra de juros em torno de 1%, a meta implícita da inflação fica cerca de 2,5%, acima da meta oficial de 2%”, dizem.

O resultado é interpretado como um viés leniente por parte do Fed. Ou seja, tolerando uma inflação um pouco acima da meta para garantir um ritmo de atividade econômica sustentado.

Credibilidade do Federal Reserve em jogo

Garantir a estabilidade de preços tem um custo: geralmente, os juros altos são acompanhados de um desaquecimento da economia. Por isso, a autoridade monetária pode tolerar uma inflação mais elevada no médio prazo, evitando um desaquecimento brusco da economia no curto prazo.

Além disso, é do interesse d e qualquer governo que a política monetária seja conduzida de forma discricionária, evitando recessões.

“Devido a esse canal de incentivos entre os condutores de política econômica, é natural se perguntar se existe alguma discrição no real objetivo da autoridade monetária, tolerando uma inflação acima da meta, mas sustentando uma atividade mais aquecida”, aponta o relatório da Genial.

No entanto, o texto destaca que essa postura não é vantajosa, porque, quando detectada pelo mercado, gera uma revisão altista das expectativas de inflação e juros, o que é equivalente a ter uma política monetária mais frouxa. Isso coloca em cheque a credibilidade do Federal Reserve.

“O atual ciclo de aperto monetário nos EUA pode não ser capaz de gerar a convergência da inflação para a meta de 2%. Nesse cenário de lento processo de convergência, sobretudo de estagnação da inflação ao redor de 2,5%, acreditamos que o Fed será obrigado a manter a taxa de juros mais elevada por mais tempo, a fim de tornar a política monetária mais apertada, mesmo para perseguir uma inflação já acima da meta”, completam os analistas.

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Formada em Jornalismo pela PUC-SP, tem especialização em Jornalismo Internacional. Atua como editora-chefe no Money Times e já trabalhou nas redações do InfoMoney, Você S/A, Você RH, Olhar Digital e Editora Trip.
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