Sinal amarelo para os frigoríficos: limites de exportação e menor ciclo de oferta podem afetar o setor ainda este ano
A perspectiva para os frigoríficos neste ano, após a temporada de balanços, esteve entre os principais do Giro do Mercado desta quinta-feira (26), com os jornalistas Paula Comassetto e Pasquale Augusto.
“Começamos 2026 com a China estabelecendo cotas específicas para o Brasil para a importação de carne bovina”, explicou Augusto. Em apenas dois meses o Brasil já atingiu um terço do total estabelecido.
O principal risco para o mercado é o esgotamento dessa cota – o que, de acordo com projeções, pode acontecer em agosto ou setembro, lembrou o jornalista.
A guerra no Oriente Médio adicionou novas tensões para os frigoríficos, que registraram uma queda conjunta desde o início do conflito. Os rumores de cessar-fogo melhoraram o desempenho do setor na bolsa, mas ainda causam impactos indiretos como o aumento dos fretes.
Augusto ainda destacou o ciclo de menor oferta de gado, que tem elevado o valor da arroba.
O que mais movimenta o mercado
O Giro do Mercado ainda falaou sobre o IPCA-15 de março, que subiu 0,44%. Apesar da desaceleração em relação a fevereiro, o dado veio acima do esperado e mantém o mercado atento ao cenário de inflação. O número também desacelerou em relação à variação de +0,84% e de 4,10% no acumulado dos últimos 12 meses, registrados no mês passado.
Além disso, o Relatório de Política Monetária do Banco Central também trouxe mudanças importantes no cenário. A autoridade monetária elevou suas projeções de inflação para 3,9% no horizonte relevante, destacou o impacto da alta do petróleo e reforçou que o ambiente global ficou mais incerto com a guerra no Oriente Médio.
Para o PIB, a projeção foi mantida em 1,6%, mas ainda com grau de incerteza.
*Com supervisão de Kaype Abreu