Sinal amarelo para WEG (WEGE3): JP Morgan questiona valuation e impacta ação; confira
O JP Morgan colocou a WEG (WEGE3) sob monitoramento de curto prazo, ao incluir a ação no chamado Negative Catalyst Watch – monitoramento de catalisador negativo – antes da divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025 (4T25), prevista para 25 de fevereiro.
Para o banco, o risco no curto prazo é assimétrico, com maior espaço para decepção do que para surpresas positivas nos preços atuais, embora a recomendação overweight equivalente à compra tenha sido mantida.
No pregão desta quinta-feira (19), os papéis recuaram 3,78%, a R$ 51,37. No acumulado de 2025, contudo, a alta ainda é de 5,73%.
Alerta antes do resultado da WEG
Segundo o relatório do JP Morgan, a preocupação está ligada principalmente ao nível de valuation da companhia e à expectativa de um quarto trimestre mais fraco.
Hoje, as ações da WEG são negociadas a preços considerados elevados pelos analistas. Na prática, isso significa que o investidor está pagando cerca de 32 anos de lucro esperado da empresa para 2026 (indicador conhecido como preço sobre lucro, ou P/L) e 21,6 vezes a geração operacional de caixa estimada (o chamado EV/Ebitda).
Esses níveis costumam indicar um papel “caro” na bolsa — especialmente em um momento em que o banco espera crescimento mais moderado da receita e margens pressionadas no fim de 2025, o que pode limitar o potencial de valorização das ações no curto prazo.
“Embora a maioria dos investidores já esteja ciente da fraqueza do quarto trimestre e nossas análises indiquem impacto cambial limitado frente ao consenso, acreditamos que a confirmação de um trimestre fraco pode levar a novas revisões para baixo das projeções para 2026”, afirmam os analistas.
Alta recente pode não refletir fundamentos
Desde a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2025, em 21 de outubro, as ações da WEG acumulam alta de 35%. No mesmo período, o Ibovespa avançou 29%, enquanto o dólar caiu 8% frente ao real.
Para o JP Morgan, parte desse desempenho está mais relacionada ao fluxo global para mercados emergentes do que a uma melhora efetiva nos fundamentos operacionais da companhia.
O banco também chama atenção para a sensibilidade da WEG ao câmbio. Considerando o dólar a R$ 5,24, as estimativas indicam um risco de queda entre 4% e 6% na receita e no Ebitda de 2026, além de uma redução de cerca de 0,5 ponto percentual na margem Ebitda.
Segundo o relatório, cada variação de 5% no câmbio real/dólar pode impactar a receita em aproximadamente 3% e o Ebitda em 5%.
O que joga a favor — e contra — a WEG
Entre os fatores positivos citados pelo banco estão:
- exposição à tendência global de eletrificação;
- crescimento do mercado de armazenamento de energia por baterias no Brasil;
- aumento da demanda por transformadores, impulsionada por novas conexões de rede, inteligência artificial e data centers;
- posição de caixa líquido.
Por outro lado, o JP Morgan avalia que o mercado já precifica uma recuperação que ainda não aparece nos resultados.
Além disso, cerca de 60% da receita da empresa vem do exterior, o que reduz a exposição direta a uma eventual retomada da economia brasileira.
“A WEG não é um veículo viável para surfar uma potencial recuperação econômica brasileira (60% da receita bruta vem de fora do Brasil) nem para o próximo ciclo de afrouxamento monetário (a empresa possui caixa líquido)”, destaca o banco.
Na visão do JP Morgan, o balanço do quarto trimestre será decisivo para o comportamento das ações no curto prazo. Caso os números confirmem um desempenho mais fraco, pode haver novas revisões negativas nas estimativas — e pressão adicional sobre os papéis.
*Com informações do InfoMoney