AgroTimes

SLC Agrícola (SLCE3) alerta para momento desafiador: ‘Não me surpreende que várias sementeiras estejam com problemas’

22 jan 2026, 7:00 - atualizado em 21 jan 2026, 19:11
slc agrícola slce3 sementeiras (1)
(Foto: Money Times)

SLC Agrícola (SLCE3) avalia que o agronegócio atravessa um período desafiador, marcado por juros elevados e preços pressionados das commodities.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A agricultura tem uma característica muito específica: você investe primeiro, enquanto o ciclo de capital de giro é mais longo. É preciso comprar fertilizantes, defensivos e sementes, e o retorno só vem depois da colheita, no momento da comercialização”, afirmou o CFO da companhia, Ivo Brum, ao Money Times.

O executivo lembra que culturas como soja e milho operam hoje com estoques globais elevados, o que limita movimentos de alta nos preços. Nesse cenário, a expectativa é de relativa estabilidade até, pelo menos, o início da próxima safra 2026/27, quando o mercado volta a direcionar atenções para a produção norte-americana.

Para Brum, a necessidade de capital de giro é um dos principais gargalos do setor, com impacto ainda mais forte sobre as empresas de sementes.

“O ciclo é longo e o capital de giro está muito caro. Você vende com margens mais baixas, pressionado pelos preços, e o custo financeiro começa a gerar problemas. Não me surpreende que várias sementeiras estejam enfrentando dificuldades financeiras. O agronegócio é cíclico e é fundamental poupar nos momentos de ciclo alto para atravessar os períodos de baixa”, explicou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE


Questionado sobre o desempenho da SLC Sementes, Brum afirmou que a operação apresentou bons resultados, embora ligeiramente abaixo do orçado.

“Isso nos ajudou a entender por que o mercado de sementes está sofrendo tanto. O lucro operacional da semente, isoladamente, é bom, mas como o ciclo é longo, o custo financeiro penaliza o resultado. Não vejo um cenário muito diferente para 2026/27, com margens mais apertadas. O que esperamos é um ambiente de juros mais baixos”, afirmou.

O alerta do executivo ocorre em meio a uma série de movimentos recentes no setor. Há duas semanas, a Unigel, uma das principais sementeiras do país, teve seu pedido de recuperação judicial — estimado em cerca de R$ 17 bilhões — comunicado ao mercado. Na semana passada, foi a vez da AgroGalaxy (AGXY3), também em recuperação judicial, anunciar a descontinuação de sua subsidiária Sementes Campeã.

Nesta segunda-feira (19), o Itaú BBA também rebaixou a recomendação da Boa Safra (SOJA3) de compra para neutra, citando um cenário de curto prazo mais desafiador para o segmento de sementes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As margens da SLC Agrícola em 2026

As margens da SLC Agrícola em 2026 devem se manter em níveis semelhantes aos de 2025, que já ficaram abaixo do histórico da companhia. Para 2027, a expectativa é de resultados próximos.

Por cultura, os números seguem adequados. O algodão mantém uma margem interessante, em torno de R$ 3 mil por tonelada, embora inferior à observada no ano passado.

A soja, por sua vez, apresentou melhora significativa em relação a 2024, quando a companhia enfrentou perdas produtivas. Atualmente, a margem está próxima de R$ 718 por tonelada, o que representa uma margem bruta superior a 36%.

Milho ganha protagonismo e muda lógica de mercado

Entre as culturas da SLC, o milho foi a que apresentou o maior ganho de representatividade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Hoje, trabalhamos com uma margem bruta próxima de 34%, algo historicamente elevado para o milho. Isso está ligado ao crescimento da indústria de etanol, que, para garantir compra antecipada e evitar a exportação, acaba pagando mais pelo produto”, explicou Brum.

Em 2024, a companhia exportou mais milho do que vendeu no mercado interno. Em 2025, esse cenário se inverteu, movimento que deve se manter em 2026.

Indicadores-chave da SLC Agrícola para o investidor

Sobre os principais indicadores que o investidor deve acompanhar, Brum destacou três pontos centrais: produtividade, custo de produção e gestão.

“A produtividade sempre será um indicador-chave, ainda que tenhamos menos controle sobre ela, apesar da diversificação geográfica. Depois, vem o custo de produção, com foco no controle de gastos. Por fim, a gestão, que envolve hedge, compra de insumos, planejamento e toda a política operacional da empresa”, concluiu.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado agro?

Editoria do Money Times traz tudo o que é mais importante para o setor de forma 100% gratuita

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar