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Sob pressão financeira, Oncoclínicas (ONCO3) inicia discussões com credores financeiros para prorrogar prazos de pagamentos

09 mar 2026, 11:10 - atualizado em 09 mar 2026, 11:10
oncoclínicas
Oncoclinicas, empresas com ações na Bolsa (Divulgação)

A Oncoclínicas (ONCO3) está em discussões com seus credores financeiros para uma possível prorrogação dos prazos de pagamento de parcelas de principal e juros com vencimento nos próximos meses, mostra fato relevante divulgado ao mercado nesta segunda-feira (9).

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De acordo com o comunicado, a companhia também convocou assembleias gerais de debenturistas de diferentes emissões para deliberar sobre um waiver para um eventual não cumprimento do índice de alavancagem, medida pela dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que será apurada no balanço referente ao ano de 2025.

Um waiver consiste em uma exceção/dispensa à regra, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda pode ser utilizado em contratos de dívida como uma forma de segurança sobre a estrutura da empresa.

Dessa maneira, em meio a dificuldades financeiras e uma reestruturação, a Oncoclínicas busca uma autorização prévia para não cumprir o limite do indicador, caso seja ultrapassado nos resultados de 2025, sinalizando que a alavancagem pode ter aumentado e há pressão financeira de curto prazo.

A Oncoclínicas deve reportar seus números referentes ao quarto trimestre do ano passado e do ano de 2025 como um todo em 30 de março.

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“A administração entende que o conjunto de tais iniciativas permitirá que a companhia continue executando com sucesso sua agenda estratégica de alinhamento absoluto ao seu core business, de disciplina financeira e de eficiência operacional, visando a manutenção de suas operações e o atendimento a seus pacientes”, diz o comunicado.

Pressão financeira

A Oncoclínicas vem passando por um momento de reestruturação, decorrente de uma pressão financeira que levou a companhia de tratamentos oncológicos a recalcular a rota e buscar retomar o seu core business.

Em janeiro deste ano, a companhia anunciou a contratação da consultoria Spencer Stuart para selecionar potenciais candidatos para ocupar a posição de CEO, em meio a um cenário de alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Na última quinta-feira (5), o fundador da Oncoclínicas, Bruno Ferrari, renunciou ao cargo de diretor-presidente e o conselho aprovou por unanimidade a eleição de Carlos Gil Moreira Ferreira para assumir o cargo de diretor-presidente de forma interina, até a conclusão do processo de sucessão de Ferrari.

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Ferrari liderava a empresa desde 19 de outubro de 2021, durante o período do processo de crescimento orgânico e inorgânico da Oncoclínicas. Apesar da saída do comando executivo, ele permanecerá como vice-presidente do conselho de administração da companhia.

O CEO interino é médico oncologista e integra a Oncoclínicas desde 2018, quando assumiu a presidência do Instituto Oncoclínicas. Desde 2021, ele também exerce a função de diretor médico da companhia.

O que está acontecendo com a Oncoclínicas?

Nascida há 15 anos em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.

Para fomentar a continuidade de expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.

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Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.

Agora, o foco está em voltar ao básico para reorganizar a empresa.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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