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Somma vê mercado se adaptando ao conflito e mantém preferência por ativos reais; petróleo não deve voltar aos níveis anteriores, diz gestor

08 abr 2026, 7:02 - atualizado em 07 abr 2026, 21:30
Vitor Tartari, gestor na Somma Investimentos
Vitor Tartari, gestor na Somma Investimentos (Divulgação)

O ambiente global deve permanecer mais inflacionário, com o mercado se adaptando gradualmente ao conflito no Oriente Médio, avalia Vitor Tartari, gestor na Somma Investimentos, que tem R$ 16 bilhões sob gestão no consolidado dos negócios.

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Segundo ele, a tendência é semelhante ao que ocorreu após o início da guerra na Ucrânia, com investidores inicialmente reduzindo risco e, depois, voltando a buscar os ativos que tendem a se beneficiar com esse cenário.

De acordo com o gestor, o primeiro movimento já foi observado em março, quando houve uma corrida para caixa e queda generalizada do apetite por risco. “Agora, aparentemente, está todo mundo ficando um pouco mais calmo e buscando os vencedores dessa história”, disse Tartari ao Money Times.

Ainda assim, ele avalia que o episódio atual tende a ser mais curto que a guerra na Ucrânia, seja por desescalada militar, acordo político ou mudanças no cenário doméstico dos Estados Unidos.

Mesmo com uma eventual descompressão das tensões, Tartari diz não esperar retorno aos níveis anteriores para algumas variáveis-chave. “O que a gente acha que não acontece é o petróleo voltar para os níveis anteriores”, afirmou, acrescentando que o cenário reforça a tese favorável a ativos ligados à economia real.

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O gestor avalia que o petróleo não deve continuar subindo, mas também não deve retornar aos níveis anteriores ao conflito, permanecendo na faixa de US$ 70 a US$ 80. Segundo ele, esse patamar mais elevado tende a persistir porque várias economias são altamente dependentes da commodity e precisam recompor estoques estratégicos para enfrentar eventuais choques de oferta.

Tartari cita que a China teria cerca de um ano de consumo estocado, enquanto Estados Unidos e países do G7 também possuem reservas estratégicas relevantes, com liberação parcial de barris para tentar conter a alta, mas sem efeito suficiente para derrubar os preços.

Preferência por ‘ativos reais’

Nesse ambiente, o gestor afirma que a preferência continua sendo por ativos reais e mercados que se beneficiam de inflação mais elevada. “A gente gostava [antes do conflito no Irã] de ativos reais e continua gostando”, afirmou, citando ações de commodities e títulos indexados à inflação.

Segundo ele, países exportadores de commodities e com juros reais elevados tendem a se destacar.

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Tartari diz que o peso elevado do setor de energia na bolsa brasileira também ajuda o desempenho relativo do mercado local em períodos de petróleo mais firme.

Dentre as preferidas da Somma na Bolsa brasileira estão Prio (PRIO3), Petrobras (PETR4), Axia (AXIA3) e Equatorial (EQTL3).

Ao mesmo tempo, o gestor diz manter exposição também a tecnologia nos Estados Unidos, que considera um setor “transformacional”, capaz de ganhar escala e expandir margens, diferentemente de indústrias tradicionais. A estratégia, segundo ele, combina ativos reais — como energia — com empresas de crescimento estrutural.

Em termos de alocação, Tartari afirma que a gestora trabalha com posições em torno de um nível neutro e ajusta a exposição conforme o cenário.

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Apesar das preocupações com fiscal e juros no Brasil, ele diz que o país segue bem posicionado no contexto global e, por isso, a Somma manteve ao longo do tempo exposição neutra ou acima do neutro em bolsa brasileira.

O gestor acrescenta que a preferência recai sobre empresas com capacidade de repassar inflação, cortar custos e expandir margens, o que tende a gerar resultados melhores em ambientes voláteis. Por isso, segundo ele, a carteira costuma privilegiar ações em relação a commodities puras.

Eleições e Selic

O gestor avalia que a próxima eleição presidencial tende a ser menos estressante para o mercado do que a disputa anterior, entre Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Segundo ele, a leitura do mercado é de um cenário “menos extremo”, com Lula disputando contra outro nome da família Bolsonaro, o que, na sua interpretação, reduziria o nível de tensão observado no último pleito.

O gestor da Somma afirma que o mercado vê um eventual quarto mandato de Lula como continuidade do atual governo, o que seria, segundo ele, mais parecido com o de Dilma Rousseff do que com o Lula 1 — ou seja, mais intervencionista. Segundo Tartari, há a percepção de agentes do mercado financeiro de que Lula “flerta com extremos”, mas não avança de forma decisiva nessa direção.

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No campo macroeconômico, Tartari diz que o Banco Central saiu corretamente de uma postura cautelosa diante do cenário recente, mas que as revisões de inflação após o início do conflito no Irã e a alta do petróleo elevaram as expectativas do mercado. De acordo com o gestor, as projeções que estavam entre cerca de 3,6% e 4,0% passaram a girar mais próximas de 4,3% a 4,5% para este ano.

Apesar disso, o gestor avalia que o Banco Central ainda possui instrumentos para conter a pressão inflacionária derivada do petróleo.

Na sua visão, a autoridade monetária deve manter uma construção cautelosa no curto prazo, mas terá espaço para acelerar novamente o ritmo de cortes da Selic, possivelmente retornando a movimentos de 50 pontos-base quando considerar necessário para ajustar o nível da taxa de juros.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em finanças. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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