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S&P rebaixa rating do BRB e mantém banco em observação negativa por ‘persistente risco reputacional’

29 jan 2026, 20:22 - atualizado em 29 jan 2026, 20:25
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(Imagem: Banco de Brasília/ Reprodução Wiz)

A S&P National Ratings rebaixou os ratings de crédito do BRB – Banco de Brasília e manteve a instituição em observação negativa, citando pressões sobre o capital e risco reputacional persistente.

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Segundo a agência, os ratings de emissor de longo e curto prazo foram cortados de brBBB-/brA-3 para brBB/brB, na Escala Nacional Brasil, e permanecem em CreditWatch negativo.

O rebaixamento ocorre após a deflagração, em novembro de 2025, da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga uma suposta fraude envolvendo ativos adquiridos pelo BRB do Banco Master.

Na avaliação da S&P, o desdobramento da investigação pode levar a uma necessidade de aportes de capital ou venda de ativos para cobrir perdas potenciais, pressionando o capital regulatório do banco.

A agência afirma que o risco reputacional associado ao caso tende a continuar afetando a geração de negócios e o funding da instituição. Em seu cenário-base, a S&P considera a possibilidade de suporte extraordinário do Distrito Federal para recomposição de capital, mas ressalta que esse apoio depende de aprovações legislativas e pode não ocorrer de forma tempestiva.

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Entre as alternativas avaliadas pelo BRB para reforçar sua posição de capital estão a venda de parte da carteira de crédito, a alienação dos ativos adquiridos, aporte do controlador ou até uma linha de financiamento com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A S&P, porém, incorpora o risco de essas medidas não serem suficientes ou rápidas, especialmente diante da incerteza sobre a qualidade dos ativos no balanço.

Captação de recursos

A agência também destaca impactos das investigações sobre a captação de recursos e a liquidez, ainda que considerados administráveis. Em junho de 2025, o funding do BRB somava R$ 67,3 bilhões, com 35% em CDBs, 28,9% em depósitos judiciais e o restante distribuído entre LCI e LCA, letras financeiras, poupança, depósitos à vista e outros recursos.

Apesar das pressões, o banco tem mantido relacionamento com investidores e plataformas de distribuição, o que tem contribuído para preservar métricas de liquidez. Mais de 85% dos depósitos a prazo não possuem cláusula de resgate antecipado, e a parcela relevante de depósitos judiciais é vista como uma fonte mais estável de captação.

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A S&P afirma que o ajuste negativo reflete elevado grau de incerteza sobre os impactos das investigações na posição financeira do BRB e na sua capacidade de manter níveis adequados de capital. Segundo a agência, o contexto atual pode comprometer o foco estratégico do banco, reduzir seu portfólio de crédito e limitar a geração de novos negócios, afetando o crescimento e a rentabilidade.

O governo do Distrito Federal detém 53,71% do capital social do BRB, e, para a S&P, a relevância histórica e estratégica da instituição aumenta a probabilidade de apoio em caso de necessidade. Ainda assim, a agência ressalta que o processo é burocrático e pode limitar a agilidade desse suporte.

O CreditWatch negativo indica a possibilidade de um novo rebaixamento nos próximos 90 dias, caso informações adicionais da investigação impactem de forma relevante a geração de negócios, o capital, o funding ou a liquidez do banco.

A S&P afirma que só deve retirar a instituição da observação negativa quando houver maior previsibilidade sobre a extensão dos efeitos do caso.

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Editor
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com MBA em mercado financeiro. Colaborou com revista Veja, Estadão, entre outros.
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