Eleições 2026

Stuhlberger: “Os seres humanos não tomam decisões lógicas”, diz gestor sobre candidatura de Flávio Bolsonaro

27 jan 2026, 13:51 - atualizado em 27 jan 2026, 15:11
Flavio e Jair bolsonaro
(Imagem: Monteiro/Bloomberg)

Com o mercado atento à eleição presidencial deste ano, o gestor da Verde Asset, Luis Stuhlberger, fez uma avaliação dura sobre o campo bolsonarista durante evento promovido pelo UBS BB nesta terça-feira (27). Para ele, a decisão de lançar Flávio Bolsonaro como candidato ao Planalto foge à lógica política.

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Na avaliação de Stuhlberger, o movimento chama atenção pela assimetria de risco para o próprio grupo. “Eu fiquei chocado com a decisão. Se você me perguntasse um dia antes se o Flávio Bolsonaro seria presidenciável, eu diria que a chance era perto de zero. Mas os seres humanos não tomam decisões lógicas”, afirmou.

O gestor lembrou que uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teria, em sua visão, mais chances eleitorais e menor custo político para o bolsonarismo.

Nesse cenário, Flávio poderia ocupar posições estratégicas em um eventual governo aliado, como a chefia da Casa Civil ou a presidência do Senado. Além disso, a vitória de um nome próximo permitiria ao grupo político buscar soluções institucionais mais favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso em Brasília.

Na mesma discussão, Bruno Coutinho, da Mar Asset, descreveu um cenário eleitoral que voltou a se aproximar de uma disputa claramente binária, com alta probabilidade de indefinição até a reta final da campanha.

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Segundo Coutinho, a entrada de Flávio como nome oficial do bolsonarismo reorganizou o campo da direita e elevou o grau de competitividade da eleição. O gestor apontou uma melhora consistente nas pesquisas após o endosso do ex-presidente.

“O Flávio saiu de um patamar em torno de 15% e foi para a casa de 24%, depois avançando para algo próximo de 28%”, afirmou.

Para ele, o resultado da eleição passa por um eleitor decisivo no Sudeste, especialmente em São Paulo — o chamado swing voter. “Quando a gente abre os números e compara Tarcísio e Flávio, aparece claramente que existe um eleitor que vota no Tarcísio e não vota no Flávio, e outro que vota no Flávio e não vota no Tarcísio”, disse.

Esse eleitor mais moderado, concentrado no Sudeste, é visto como central na estratégia da direita. Na leitura de Coutinho, o filho do ex-presidente precisaria reduzir rejeição e ampliar diálogo com esse grupo para se tornar mais competitivo, o que torna o papel de Tarcísio relevante como elemento de composição política, mesmo fora da cabeça de chapa.

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A candidatura de Flávio na economia

Do ponto de vista econômico, os gestores também fazem distinção entre os dois cenários. Na avaliação de Coutinho, um eventual governo de Tarcísio seria melhor recebido pelo mercado do que um comando de Flávio. “O Tarcísio é percebido como alguém com capacidade de montar um time econômico mais técnico, com histórico de gestão e menor rejeição, o que reduz o prêmio de risco”, afirmou.

Já no caso de Flávio, a incerteza é maior. “O mercado tem mais dificuldade de modelar um governo do Flávio, porque ele carrega um risco político maior e menos previsibilidade econômica”, disse o gestor da Mar Asset.

Na leitura dos dois gestores, a consequência direta para o mercado é a manutenção de um ambiente de instabilidade na precificação dos ativos brasileiros ao longo do ano.

Stuhlberger disse esperar que a disputa permaneça equilibrada por um período prolongado. “O razoável grau de certeza é que a gente vai estar no 50/50 até o final”, afirmou.

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Esse caráter binário, segundo ele, aumenta o valor de estratégias de proteção, já que a virada de cenário pode ocorrer perto do pleito, quando a liquidez tende a piorar e os spreads se ampliam.

Coutinho, por sua vez, conectou o debate eleitoral ao risco fiscal. Na sua visão, o crescimento recente, impulsionado por gasto público e maior oferta de crédito, convive com um risco estrutural que o mercado tende a ignorar enquanto a inflação segue comportada, mas que volta ao radar à medida que a eleição se aproxima.

No pano de fundo, ambos enxergam uma distorção entre classes de ativos. Enquanto a bolsa parece refletir um cenário eleitoral mais equilibrado, os juros longos seguem mais tensionados.

“A bolsa parece precificar um cenário mais equilibrado do ponto de vista eleitoral”, afirmou Coutinho. “Já os juros longos parecem mais desconfiados, como se estivessem precificando uma probabilidade maior de vitória do governo atual ou, pelo menos, um prêmio de risco mais elevado.”

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Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja.
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