Mercados

Stuhlberger projeta dólar justo a R$ 4,40 e defende “hedge barato” diante de eleições

27 jan 2026, 15:30 - atualizado em 27 jan 2026, 16:31
Stuhlberger
(Imagem: Reprodução)

Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset, avalia que o preço do dólar segue como o principal ativo desalinhado do mercado brasileiro e que, por isso, oferece uma oportunidade clara de proteção — e até de posicionamento pró-Brasil — em meio ao cenário eleitoral incerto.

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O gestor enxerga que, mesmo após a apreciação recente do real, o dólar ainda está longe do seu valor justo.

“O câmbio ainda está extremamente fora do lugar. Apesar de o real estar próximo dos R$ 5,20, quando você compara com outras moedas, ele apreciou menos”, defendeu, em evento do UBS BB realizado nesta terça-feira (27). “Se for para fazer uma posição nova pró-Brasil, como o fair value do dólar é tipo R$ 4,40, eu acho que faz sentido olhar para isso agora.”

Em sua leitura, o comportamento do câmbio é mais fácil de analisar do que o da bolsa no curto prazo, já que ações dependem fortemente de fluxos, enquanto o dólar responde de forma mais direta a fundamentos macroeconômicos e diferenciais de política econômica.

Ao discutir estratégias para os próximos anos, o gestor afirmou que, se fosse montar hoje uma nova posição pró-Brasil, ela não passaria por ações — que já tiveram forte valorização —, mas sim pelo câmbio, mirando níveis bem mais baixos.

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Dólar e o cenário internacional

Stuhlberger explica que o argumento para um dólar mais fraco não está necessariamente no Brasil, mas também no cenário internacional. E, na sua visão, a política econômica dos Estados Unidos deve continuar a pressionar a moeda americana nos próximos anos.

“O Trump vai fazer o possível e o impossível para o dólar se desvalorizar. Ele está conseguindo isso, e esse movimento ainda não acabou”, disse.

Segundo ele, a combinação no país de populismo fiscal, pressão política sobre as instituições e estímulos diretos à renda tem se tornado cada vez mais explícita. Para ele, a estratégia lembra políticas adotadas por países emergentes — algo incomum para a maior economia do mundo.

O gestor também destacou que o ambiente político nos Estados Unidos tende a se tornar ainda mais instável à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, o que pode ampliar o uso de medidas populistas por Trump como forma de preservar apoio político. “Ele está desesperado com a eleição de meio de mandato. Ele vai provavelmente ter medidas populitas para evitar uma derrota”, afirmou.

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Além do mais, na leitura de Stuhlberger, um eventual revés eleitoral — como a perda de uma ou das duas Casas do Congresso — também deve acelerar o processo de incerteza institucional e fiscal. “Se ele sair derrotado no midterm, a pergunta passa a ser se os Estados Unidos voltam ao que eram antes ou se esse trumpismo continua moldando a política econômica.”

Esse ambiente, segundo o gestor, cria um pano de fundo favorável para a saída marginal de recursos de ativos dolarizados globais. Ainda que pequenas por ora, essas movimentações já têm tido impacto relevante em mercados menores, como o Brasil, e explicam, em grande parte, a recente alta da Bolsa brasileira.

“Os estrangeiros detêm algo como US$ 36 trilhões em ativos nos Estados Unidos. Se 3% disso se move para fora, é um estrago enorme em mercados pequenos.”

É nesse ambiente que o gestor defende que o investidor brasileiro aproveite o custo baixo do dólar para adquirir instrumentos de proteção cambial. Para ele, o hedge não deve ser visto apenas como defesa financeira, mas também como uma forma de atravessar períodos de estresse político, como a eleição brasileira deste ano, com mais conforto.

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“Eu gosto da ideia de hedge emocional. Você paga muito pouco por ele. Mesmo que você ganhe pouco, já fica satisfeito, porque os outros ativos continuam andando. Se a disputa ficar em 50/50 até o final, é melhor guardar esses hedges baratos de dólar e real”, disse.

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Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja.
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