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‘Super demanda’ acelera ganhos do boi, mas efeito rebote promete pressão

13 abr 2026, 12:26 - atualizado em 13 abr 2026, 12:26
boi carne bovina
(Imagem: Pixabay/ericojuniormorais0)

O mercado do boi gordo vive um momento de firmeza nos preços, impulsionado por uma combinação de oferta ajustada em algumas regiões e, principalmente, por uma demanda aquecida no mercado externo — especialmente da China.

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O indicador do boi gordo Cepea/Esalq renovou suas máximas e atingiu R$ 365,60 na última sexta-feira (10), com uma valorização de 14,54% no acumulado de 2026.

No entanto, analistas alertam que esse movimento pode esconder um risco relevante à frente: um possível efeito rebote no segundo semestre

Na leitura de Isabella Camargo, analista da HN Agro, o cenário atual ainda reflete uma oferta restrita de animais terminados, sustentada pelas boas condições de pastagem. Isso tem permitido ao pecuarista maior poder de barganha frente à indústria, mesmo com os frigoríficos ofertando valores acima da referência.

“As escalas de abate seguem apertadas na maioria das regiões, o que vem sustentando a firmeza dos preços do boi gordo”, afirma. Segundo ela, o bom ritmo das exportações também contribui para enxugar a oferta doméstica e manter os preços da carne bovina resilientes, inclusive em períodos de consumo mais fraco, como a segunda quinzena do mês.

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A expectativa da analista é de que a cota chinesa seja preenchida entre junho e julho, o que deve sustentar a demanda no curto prazo. Ainda assim, ela pondera que, após esse período, o mercado tende a entrar em uma fase mais calma, com aumento de oferta — embora não tão expressivo quanto em anos anteriores.

Uma ‘super demanda’ para o boi e uma disponibilidade ainda elevada de animais

Na visão de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o atual aperto nas escalas não decorre de falta de boi, mas sim de uma “super demanda”.

“O abate segue acelerado e isso é um sintoma claro de super demanda. Importadores e exportadores estão correndo para garantir uma fatia maior da cota chinesa, que deve se encerrar em meados de junho”, destaca.

Os números corroboram essa leitura. Em março, o Brasil abateu cerca de 3,3 milhões de cabeças de gado, alta de 5,76% na comparação anual. No acumulado do primeiro trimestre, foram 9,56 milhões de cabeças, avanço de 0,73% sobre o mesmo período de 2025.

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Para Iglesias, esse nível elevado de abate indica que há disponibilidade de animais no mercado — o que reforça o risco de uma virada no ciclo de preços. Com o fim da cota chinesa, a tendência é de desaceleração dos embarques no terceiro trimestre, justamente no período em que há maior entrada de animais terminados.

“A grande quantidade de animais ofertados sinaliza que, quando a cota se esgotar, o efeito rebote pode ser relevante, com pressão de queda nos preços”, afirma.

Os efeitos para preços

Esse cenário já começa a aparecer no mercado futuro. Os contratos de boi gordo na B3 indicam preços mais baixos no segundo semestre, com um spread negativo entre maio e os vencimentos de junho, julho e agosto.

“Diante desse ambiente, a adoção de estratégias de proteção a partir de maio se torna fundamental para garantir o resultado operacional em um ano que tende a ser mais desafiador que o habitual”, explica Iglesias.

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Apesar desse risco, Isabella avalia que o mercado ainda pode encontrar sustentação mais à frente. A retomada das compras chinesas para a cota de 2027, o aumento da demanda no fim do ano e a menor oferta estrutural de animais podem abrir espaço para uma recuperação dos preços no último trimestre

“Ao observar o mercado futuro, vemos que o contrato para novembro está cerca de 3% abaixo de abril. Historicamente, novembro concentra os preços mais altos do ano. Isso indica possíveis oportunidades no segundo semestre, já que esperamos retomada das compras chinesas, melhora do consumo interno com as festas de fim de ano e menor oferta de animais durante a entressafra. Portanto, há espaço para que esses preços sejam maiores quando esse período chegar.”

Além disso, outros mercados vêm ganhando relevância. A analista destaca o aumento das compras por Hong Kong, a possível abertura do Japão e uma maior demanda dos Estados Unidos, especialmente no segundo semestre.

“Sobre preços, não vemos níveis entre R$ 380 e R$ 390 por arroba como algo fora de cogitação. Em anos de retenção, esses patamares são possíveis — e já estamos próximos disso, com negócios pontuais na casa de R$ 370. Para 2027, inclusive, acreditamos em valores ainda mais altos, com o mercado mantendo firmeza”, diz a analista.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
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