Saúde

SUS: vacina brasileira contra a dengue já é aplicada em três cidades; veja quem vem depois

20 jan 2026, 8:23 - atualizado em 20 jan 2026, 8:23
Vacina contra a dengue, Instituto Butantan
Vacina contra a dengue/Agência Brasil

Depois de décadas lidando com a dengue como um problema sazonal — que explode no verão, some no inverno e volta no ano seguinte — o Brasil começa a testar uma mudança estrutural no combate ao vírus 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesta semana, o Ministério da Saúde deu início à vacinação com o primeiro imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido integralmente no país, criada pelo Instituto Butantan, chamada Butantan-DV. 

A estratégia começou de forma controlada nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com a imunização de pessoas entre 15 e 59 anos.  

Por que começar por cidades específicas?

A escolha não foi aleatória. Segundo o ministro da Saúde, Adriano Massuda, os municípios foram selecionados por terem entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, capaz de aplicar a vacina e, principalmente, monitorar seu impacto real na circulação do vírus. 

A ideia é observar, ao longo de um ano, se a imunização reduz casos, internações e formas graves da doença, além de acompanhar possíveis eventos adversos raros. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A metodologia já foi usada antes, inclusive em Botucatu, durante a avaliação da efetividade da vacina contra a Covid-19. 

Uma vacina contra a dengue de dose única

O principal diferencial da Butantan-DV está no formato: dose única. É a primeira vacina contra a dengue no mundo com esse esquema, o que facilita campanhas em massa, reduz abandono do calendário vacinal e diminui custos operacionais para o SUS. 

“Hoje é um dia histórico para a saúde pública brasileira”, afirmou Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações. “É uma vacina segura, eficaz e que vai ajudar o SUS a enfrentar uma doença que segue sendo um grande problema de saúde pública.” 

Os estudos clínicos indicam:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
  • 74% de eficácia global; 
  • 91% de redução de casos graves; 
  • 100% de proteção contra hospitalização; 
  • proteção contra os quatro sorotipos da dengue. 

Quantas doses já estão disponíveis?

Nesta primeira fase, 204,1 mil doses estão sendo distribuídas: 

  • 80 mil para Botucatu (SP); 
  • 60,1 mil para Maranguape (CE); 
  • 64 mil para Nova Lima (MG). 

O volume faz parte de um lote inicial de 1,3 milhão de doses já produzidas pelo Butantan, o suficiente para vacinar toda a população-alvo dessas cidades. 

E quem já vinha se vacinando?

Nada muda, por enquanto, para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Esse público segue recebendo a vacina japonesa de duas doses, atualmente disponível em todos os mais de 5 mil municípios brasileiros. 

A vacina do Butantan será destinada às demais faixas etárias, de 15 a 59 anos, conforme o limite estabelecido em bula e regulamentado pela Anvisa. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Próxima etapa: profissionais de saúde

Com a chegada de novos lotes, o Ministério da Saúde prevê, já a partir de fevereiro, a vacinação de profissionais da Atenção Primária à Saúde. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a médicos, enfermeiros e agentes comunitários do SUS. 

A ampliação para o público geral dependerá da disponibilidade de doses. Para acelerar esse processo, o Butantan firmou parceria de transferência de tecnologia com a empresa chinesa WuXi Vaccines, o que pode elevar a capacidade de produção em até 30 vezes. 

O cenário ajuda, mas o alerta continua

Os números recentes mostram uma melhora importante, mas ainda longe do ideal. Em 2025, os casos de dengue no Brasil caíram 74% em relação a 2024. Foram 1,7 milhão de casos prováveis, contra 6,5 milhões no ano anterior. As mortes confirmadas também recuaram 72%.  

Apesar disso, o Ministério da Saúde reforça que a vacina não substitui o combate ao mosquito. Eliminar criadouros de Aedes aegypti segue sendo a principal forma de prevenção contra a dengue, chikungunya e zika 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A imunização entra como uma camada adicional de proteção e, possivelmente, a mais importante já adotada pelo país. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
Linkedin
Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
Linkedin

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar