Tanure deixa conselho da Light (LIGT3) após perda de ativos e pressões do caso Master
Nelson Tanure renunciou nesta quarta-feira (18) ao cargo de membro independente do conselho de administração da Light (LIGT3) em um momento de pressão crescente sobre seus negócios.
De um lado, o empresário passou pela execução de garantias por credores que reduziu sua posição na Light e tirou dele o controle da Alliança Saúde (AARL3). De outro, seu nome voltou ao centro das notícias sobre o caso Banco Master.
No comunicado ao mercado, a Light afirmou que recebeu a carta de renúncia de Tanure e agradeceu sua atuação durante o processo de recuperação judicial e transformação da companhia.
A formalização da saída ocorre pouco mais de um mês depois de credores executarem garantias ligadas a uma dívida de cerca de R$ 1,2 bilhão, em uma operação que resultou na perda do controle da Alliança e em uma redução relevante da fatia do empresário na própria Light.
A origem dessa execução está em financiamentos usados na compra da Ligga Telecom por Tanure. Com a piora da situação financeira do devedor, credores como BTG Pactual, Prisma, Farallon e Santander avançaram sobre as garantias.
O episódio, na época, reforçou a leitura de que o empresário passava a enfrentar uma liquidação forçada de ativos, após uma sequência de reveses em participações societárias.
Esse enfraquecimento patrimonial veio também acompanhado do aumento da pressão reputacional e judicial no caso Master. Em janeiro, a Polícia Federal fez diligências em endereços ligados a Tanure no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras associadas à instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Desde então, o nome do empresário seguiu aparecendo em reportagens e depoimentos ligados à investigação. Entre as notícias, aparecem a proximidade do empresário com Vorcaro, que chegou a o presentear com um relógio de luxo.
Hoje, o gestor Vladimir Timerman, da Esh Capital, afirmou à CPI do Crime Organizado, no Senado, que Daniel Vorcaro seria apenas a face pública do banco e que haveria “outros nomes por trás” do Master.