Money Times Entrevista

Taurus (TASA4): Mercado indiano já tem 12 milhões de clientes potenciais, diz CFO

07 dez 2023, 16:13 - atualizado em 07 dez 2023, 16:13
O CFO da Taurus, Sergio Sgrillo
Em entrevista ao Money Times, Sergio Sgrillo Filho, CFO da Taurus, explicou detalhes sobre a nova empreitada da empresa, que começa a operar na Índia a partir do mês que vem (divulgação/Taurus)

A nova empreitada da Taurus (TASA4) na Índia promete oferecer um amplo mercado de consumidores à fabricante gaúcha, mesmo em um país que tem muitas restrições no acesso às armas a civis, segundo Sergio Sgrillo Filho, CFO (Chief Financial Officer) da companhia.

Ele diz que, atualmente, a Índia tem 12 milhões de civis autorizados a comprar armas, 11 milhões a mais que o Brasil.

“E esse público tem armas antigas, podendo querer substituí-las por novas armas”, afirma Sgrillo ao Money Times, durante evento da APIMEC (Associação dos Analistas e Profissionais de Mercado de Capitais) com a Taurus, realizado na quarta (6), na AMTT (Armas, Munições, Tiro e Treinamento), loja conceito da empresa em São Paulo.

O acesso restrito é compensado pelo fato de que o país é hoje o mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de pessoas. Por lá, pouco pode ser muito.

O ticket médio local também é atrativo, com as armas saindo por US$ 1200 em média. É em torno desse valor que deverá ser cobrado pelas pistolas da empresa.

“As armas na Índia são para clientes de alto poder aquisitivo. É um preço alto”, diz Sgrillo.

Em relação às novas permissões, o CFO afirma que “o governo indiano tem emitido em média 40 mil licenças por ano”. Segundo ele, a expectativa da Taurus é de “pegar uma boa fatia dessas licenças”, colocando que também espera uma possível flexibilização do acesso às armas pelo governo de Narendra Modi.

“Também esperamos o número de licenças emitidas pelo governo para civis aumente. Há vários problemas na fronteira da Índia [com o Paquistão], que é uma região conturbada”, diz. Ele afirma que a expectativa é da Jindal Defense, parceiro da fabricante gaúcha no país. “É uma empresa próxima ao governo”, diz.

É com a Jindal que a Taurus estabeleceu uma joint venture para a construção de uma fábrica na Índia, cuja permissão para a operação foi concedida apenas no mês passado, após um longo processo burocrático. No entanto, agora a companhia brasileira deve colher seus frutos, segundo Sergio.

A operação da planta indiana deve começar no próximo mês. A fábrica é a 4ª da empresa no mundo, que tem duas no Brasil e uma nos Estados Unidos, seu maior mercado. Em relação à receita obtida, “49% é para a Taurus, e 51% é para a Jindal”, diz o CFO.

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Taurus abre o jogo com vantagem, segundo CFO

A Taurus vai entrar no mercado indiano com vantagem, explica Sergio, que traça a estratégia da empresa para o país: “Hoje, temos apenas um competidor forte na Índia, que é a OFB (Ordnance Factory Board)”. A nova concorrente da Taurus é uma antiga estatal (como a brasileira Imbel) do país, com um portfólio que não deve trazer muita competição, de acordo com o Sgrillo. “Hoje, eles têm um armamento muito antigo, obsoleto. Estamos a anos-luz na qualidade dos produtos”, diz.

Por lá, a OFB produz a pistola Ashani MKII, de 19, e a importação de armas para civis é proibida. Já a Taurus vai estrear no mercado com a pistola PT57, no calibre 7,65mm, para depois passar a produzir revólveres.

Veja as pistolas da Taurus e da OFB na galeria abaixo:

Outro ponto que a Taurus deve explorar localmente são as licitações estaduais, segundo Sgrillo. Para a linha Law Enforcement na Índia, a Taurus tem a pistola TS9, o fuzil T4 e a CTT40. “Desenvolvemos fornecedores locais e já estão prontos para produção na fábrica”, diz Sgrillo, contando que a Taurus já está aproveitando a presença local para mostrar essas armas às polícias.

A empresa também concorre atualmente em um processo bilionário com o governo da Índia, aberto há alguns anos para a compra de 425 mil fuzis. É no próximo mês que a fabricante gaúcha envia as amostras do fuzil T4, sua aposta para o pleito. O resultado deve sair até março ou abril.

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Repórter formado pela PUC-SP, com passagem pelo Poder360, Estadão e Investidor Institucional. Tem pós-graduação em jornalismo econômico pela FGV-SP, através do programa Foca Econômico 2022, do grupo Estado. No Money Times, cobre política, mercados e também a indústria de armas leves no Brasil.
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Repórter formado pela PUC-SP, com passagem pelo Poder360, Estadão e Investidor Institucional. Tem pós-graduação em jornalismo econômico pela FGV-SP, através do programa Foca Econômico 2022, do grupo Estado. No Money Times, cobre política, mercados e também a indústria de armas leves no Brasil.
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