Taxas dos DIs sobem com possível greve de caminhoneiros, apesar de leilões do Tesouro
Após oscilarem em baixa na maior parte da sessão, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam em alta nesta terça-feira (17), com o mercado reagindo negativamente a especulações sobre possível greve dos caminhoneiros nos próximos dias.
O avanço das taxas ocorreu a despeito de o Tesouro ter realizado mais duas intervenções no mercado de títulos, recomprando e vendendo papéis com o objetivo de eliminar distorções na curva a termo.
A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 fechou a 14,135%, com alta de 7 pontos-base ante o ajuste de 14,070% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,785%, com elevação de 2 pontos-base ante 13,770%.
Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dois anos – que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo – fechou a 3,678% ante 3,680% do fechamento anterior. Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – encerrou a 4,200% ante 4,220% do fechamento anterior.
O que mexeu com os DIs hoje?
As taxas futuras recuaram durante toda a manhã e durante boa parte da tarde no Brasil, refletindo os leilões de títulos do Tesouro Nacional e a relativa acomodação dos Treasuries no exterior, apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que fez o petróleo voltar a subir.
Pela manhã, o Tesouro recomprou 7,6 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5 milhões de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F), ambos títulos prefixados, em um valor total de R$9,05 bilhões.
À tarde, ele recomprou 1,629 milhão de Notas do Tesouro Nacional–Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação, no valor total de R$ 7,077 bilhões. Simultaneamente, vendeu 244,6 mil NTN-B, em um total de R$ 1,052 bilhão.
Com essas operações extraordinárias, o Tesouro busca reduzir as distorções na curva a termo brasileira, em um contexto de forte pressão de alta trazida pela guerra no Oriente Médio.
Durante a tarde, porém, em meio à operação com NTN-B do Tesouro, o mercado reagiu negativamente à possibilidade de uma greve de caminhoneiros nos próximos dias, o que fez as taxas dos DIs zerarem as perdas e, na sequência, passarem a subir.
O jornal Folha de S. Paulo informou que caminhoneiros de diferentes regiões do país estão articulando uma paralisação nacional nos próximos dias, em protesto contra o aumento do óleo diesel. Ainda que não haja uma data definida nem clareza sobre a real adesão da categoria, receios de que uma greve possa impulsionar a inflação fez as taxas futuras atingirem máximas.
Após atingir a mínima de 13,975% (-10 pontos-base) às 11h08, já após a primeira intervenção do Tesouro, a taxa do DI para janeiro de 2027 marcou a máxima de 14,245% (+17 pontos-base) às 15h43, reagindo às especulações sobre uma possível greve.
Além dos leilões e das especulações sobre a greve, permearam os negócios nesta terça-feira as dúvidas sobre o que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciará na noite de quarta-feira (18): um corte de 25 pontos-base da Selic ou a manutenção da taxa básica em 15% ao ano.
No mercado, os receios de que o BC possa manter a Selic cresceram, ainda que a precificação dos ativos mostre chances maiores de corte de 25 pontos-base. A possibilidade de corte de 50 pontos-base – amplamente precificada antes da guerra no Oriente Médio – desapareceu da curva a termo e passou a ser minoritária no mercado de opções de Copom da B3.
Também amanhã, o Fed anunciará sua decisão sobre juros, com o mercado precificando amplamente a manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%.