DIs longos sobem com nova tarifa de Trump e juros dos EUA no radar
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de longo prazo operam com leve viés de alta no Brasil nesta manhã de segunda-feira (23), com os rendimentos dos Treasuries no exterior exibindo movimentos contidos, após o presidente dos EUA, Donald Trump, elevar de 10% para 15% uma tarifa de importação cobrada de todos os países.
Às 10h02, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,555%, ante o ajuste de 12,546% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,42%, ante 13,381%. O rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía 1 ponto-base, a 4,075%.
No sábado, Trump afirmou que elevará de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre as importações dos EUA de todos os países, o nível máximo permitido por lei. Na sexta-feira, ele havia anunciado uma nova alíquota de 10%, após a Suprema Corte do país derrubar seu programa tarifário anterior.
Nesta manhã, Trump voltou a criticar a Suprema Corte e disse que outras tarifas podem ser usadas de forma “muito mais poderosa e desagradável”.
No campo geopolítico, também seguem no radar as tensões entre EUA e Irã, que indicou estar disposto a fazer concessões em seu programa nuclear em troca do fim das sanções norte-americanas e do reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.
Em meio às tensões comerciais e geopolíticas dos últimos dias, o mercado vem elevando as apostas de que o Federal Reserve pode manter sua taxa de referência na faixa de 3,50% a 3,75% por mais tempo que o esperado inicialmente.
Nesta manhã, os títulos norte-americanos precificavam em 49,0% a probabilidade de manutenção dos juros nesta faixa em junho – mês de reunião do Fed com apostas mais divididas no curto prazo –, contra 44,0% de chance de corte de 25 pontos-base, conforme a ferramenta CME FedWatch. No dia 13 de fevereiro, os percentuais eram de 31,4% e 51,2%.
No Brasil, o boletim Focus publicado mais cedo pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim deste ano foi de 12,25% para 12,13%.
Atualmente a taxa está em 15% ao ano e, para os economistas consultados no Focus, o ciclo de cortes começará em março, com redução de 50 pontos-base.
Na B3, as opções de Copom precificavam na quinta-feira – dado mais recente – 78,00% de probabilidade de corte de 50 pontos-base da Selic em março, 17,07% de chance de redução de 25 pontos-base e 1,90% de possibilidade de corte de 75 pontos-base.