Telefônica Brasil (VIVT3): Itaú BBA passa tesoura no preço-alvo e chama atenção para os dividendos
O Itaú BBA atualizou as estimativas para a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, cortando o preço-alvo de R$ 44 para R$ 38 por ação, o que implica em um potencial de alta de 13% ante o fechamento de 16 de junho. A classificação da casa permanece market perform, equivalente à neutra.
A equipe de analistas liderada Maria Clara Infantozzi se reuniu pela primeira vez com o CFO Rodrigo Monari, desde que esse assumiu o cargo em abril deste ano.
De acordo com relatório, a mensagem principal do executivo é de um mandato que se concentrará na eficiência e rentabilidade, com a administração vislumbrando um espaço significativo para expansão de margem no médio prazo.
“Apesar do desempenho inferior recente das ações em comparação com o Ibovespa (+1,6% nos últimos seis meses vs. Ibovespa +7%), continuamos a considerar o dividendo de 8% para 2026 relativamente pouco atraente em comparação com outros títulos, o que nos leva a aguardar um ponto de entrada mais
favorável”, diz o BBA.
As estimativas da casa para 2026 e 2027 permanecem amplamente alinhadas com as projeções anteriores, com a principal mudança sendo uma curva mais suave para a monetização da venda de ativos em 2026.
Agora, os analistas esperam R$ 1 bilhão em vendas de ativos, abaixo dos R$ 1,3 bilhão anteriores.
“O principal motivo para a redução em nossa estimativa de preço-alvo está relacionado a projeções de longo prazo mais modestas. Dado o cenário macroeconômico desafiador, preferimos considerar o crescimento da fibra óptica e a aceleração da receita B2B como riscos de alta neste momento”, dizem os analistas.
Horizonte da Telefônica Brasil
De acordo com o Itaú BBA, do lado da concorrência, a administração da Telefônica Brasil continua a observar um ambiente de mercado racional e destacou que a Vivo já reajustou os preços de 75% de sua carteira de clientes pós-pagos, com planos de abordar gradualmente o restante ao longo do tempo.
“A conectividade via satélite também foi discutida, com a administração considerando o risco limitado a curto prazo para o negócio de telefonia móvel, encarando-a mais como um complemento de cobertura do que como um substituto para as redes terrestres”, dizem os analistas.
Em relação às tendências de preços de planos pré-pagos, existe uma oportunidade para melhorar a
monetização, no entanto, isso depende de uma disciplina de mercado mais ampla.
Já sobre a fibra óptica, a Vivo vê amplo espaço para crescimento orgânico em um mercado ainda fragmentado, enquanto fusões e aquisições poderiam atuar como aceleradoras.
“A administração vê um potencial significativo para melhorar a eficiência por meio da IA em call centers, departamento jurídico e outras funções administrativas, embora a maior parte desses ganhos deva se materializar no médio prazo”, pondera o Itaú BBA.
Apesar dos investimentos contínuos em expansão de fibra óptica e inteligência artificial (já incorporando o uso adicional de tokens que isso acarreta), a empresa não prevê aumento nos investimentos em infraestrutura em termos nominais no médio prazo, mantendo-se em torno de R$ 9 bilhões.