Telefônica Brasil (VIVT3): UBS BB faz duplo rebaixamento da ação; entenda
O UBS BB rebaixou duplamente a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, alterando a recomendação de compra para venda e reduzindo o preço-alvo das ações de R$ 37,50 para R$ 36. O novo valor aponta para um potencial de desvalorização de 14,5% em relação ao preço do fechamento anterior.
Segundo o banco, embora o cenário operacional da Telefônica continue relativamente benigno, as premissas de crescimento, margens, capex e custos de leasing agora indicam um fluxo de caixa (FCF) abaixo da média dos pares, de 5%, contra 12% na América Latina, com tendência de queda.
Além disso, os rendimentos de dividendos e do FCF se comprimiram a níveis de um dígito, deixando de sustentar o caso de investimento, segundo avaliação do UBS BB.
Os analistas destacam que essa combinação de fatores resulta em um perfil de retorno pouco atrativo, inferior ao custo de capital próprio, tornando a companhia menos convincente no setor de telecom latino-americano.
Por volta das 10h40 (horário de Brasília), as ações da Telefônica caíam 2,73%, a R$ 40,94.
Potencial limitado da VIVT3 para crescimento do FCF
Para o UBS BB, existe um intervalo estreito de resultados possíveis para o FCF. Em condições quase ideais, a Telefônica poderia registrar crescimento de 4% a 8% entre 2025 e 2027, considerado pelo banco como limite superior.
“Os riscos de queda vêm principalmente das receitas de serviços móveis, que representam cerca de dois terços das vendas e estão estruturalmente desacelerando em linha com a inflação, limitando a expansão de receita e a absorção de custos”, observam os analistas Leonardo Olmos, Andre Salles e Gustavo Farias.
Em um cenário negativo, no qual as margens retornem às tendências históricas ou os custos de leasing se mantenham elevados, o crescimento do FCF poderia ficar abaixo de um dígito médio, reforçando um perfil de risco assimétrico para baixo.
Calcanhar de Aquiles da Telefônica
Entre as operadoras globais, o banco aponta que a Telefônica tem desempenho fraco de FCF yield (7%) e carry yield (12%), oferecendo um perfil inferior de retorno em caixa.
“Seus pares negociam com FCF yield mais alto para um carry semelhante, ou entregam carry muito maior para FCF comparável — deixando a Telefônica Brasil cerca de 30% mais cara em base comparável”, destacam os analistas do UBS BB.
O banco ressalta que riscos para a recomendação de venda incluem reprecificação adicional das ações de telecom na América Latina, vistas como “bond proxies”, impulsionada por fluxos passivos globais, além do potencial de valorização caso as distribuições aumentem com FCF mais estável.