Temporada de balanços do 4T25 tem sido decepcionante até agora, diz XP
A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) está caminhando para reta final com resultados aquém do esperado, na avaliação da XP.
Em relatório, os estrategistas Fernando Ferreira, Lucas Rosa e Raphael Figueredo afirmam que a proporção de “surpresas positivas” nos principais indicadores — como receita, Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e lucro líquido — caiu para os menores patamares da série histórica da corretora.
De acordo com a equipe, apenas 37% das empresas superaram as estimativas de lucro líquido, ante média histórica de 51%. Em relação ao Ebitda, 21% das companhias apresentaram resultados acima do esperado, contra uma média histórica de 42%.
“Para receita e Ebitda, boa parte da queda na proporção de surpresas positivas foi refletida em uma maior participação de resultados em linha com o esperado, que atingiu os níveis mais altos da nossa série histórica para ambos os indicadores”, diz o relatório.
Já na linha de receita, somente 27% das empresas registraram números acima das projeções, também abaixo da média histórica de 39%.
Na análise, os estrategistas consideraram os resultados de 71 empresas que estão dentro da cobertura da XP.
“Entendemos que esses números podem refletir o pico da desaceleração da atividade econômica doméstica, em grande medida decorrente do ambiente de juros elevados no Brasil”, afirmaram Ferreira, Rosa e Figueredo.
Apesar do desempenho fraco, os estrategistas mantêm uma visão mais construtiva para as empresas, considerando que o início do ciclo de afrouxamento monetário tende a criar um “pano de fundo mais favorável” para os lucros.
A expectativa do mercado é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira (18), levando a taxa de juros de 15% para 14,75% ao ano.
A visão mais otimista também é sustentada pela expectativa de uma reaceleração da atividade econômica a partir do primeiro trimestre de 2026 (1T26), apoiada por maior estímulo fiscal.
Os melhores e piores do 4T25
Para a XP, o setor de papel e celulose tem sido o destaque positivo da temporada de balanços do 4T25 até agora.
Segundo os estrategistas, o setor vem apresentando fortes surpresas tanto na linha de receita quanto na de lucro, impulsionadas especialmente por “resultados sólidos” da Suzano (SUZB3).
O segmento também é uma exceção entre as commodities, cujas empresas têm apresentado um desempenho mais misto até o momento. Mineração e siderurgia, por exemplo, registraram 40% de surpresas positivas e 40% negativas.
Já entre as companhias de óleo e gás, 67% apresentaram resultados abaixo do esperado, embora a temporada de resultados ainda esteja em estágio inicial, destacam os estrategistas da XP.
Em termos de lucro, os destaques positivos vão para os setores de TMT (tecnologia, mídia e telecomunicações) e agronegócio.
O agro, porém, tem apresentado uma dinâmica mais negativa na linha de receita, com 60% das empresas ficando abaixo das estimativas e 80% abaixo das projeções de Ebitda.
Entre os setores de propriedades comerciais e utilidades públicas (utilities), as dinâmicas de resultados têm sido mais fracas, com a maioria das empresas registrando surpresas negativas.
Reação do mercado
No relatório, os estrategistas da XP também destacam que o mercado não tem mostrado uma reação muito forte à divulgação de resultados, em um contexto em que fatores macroeconômicos têm dominado os fundamentos micro.
Além disso, “a forte dispersão de reação entre surpresas positivas e negativas que observamos em trimestres anteriores não tem se repetido neste trimestre, já que as ações que entregaram surpresas negativas vêm apresentando reações mais positivas do que aquelas que entregaram surpresas positivas”, escreveram Fernando Ferreira, Lucas Rosa e Raphael Figueredo.
A equipe também considera que as revisões de lucros para os próximos trimestres seguem “sólidas”.
“As expectativas de lucros para os próximos trimestres têm permanecido amplamente estáveis até agora, apesar das decepções nesta temporada de resultados”, afirmaram.
Isso, segundo os estrategistas da XP, sugere que o mercado não está precificando um cenário micro persistentemente negativo para o Brasil.