Entrevista

Tenda (TEND3): A estratégia para zerar dívida, aumentar lucro e turbinar dividendos, segundo o CFO

17 mar 2026, 7:00 - atualizado em 16 mar 2026, 16:02
Luiz Mauricio de Garcia, CFO da Tenda (TEND3)
Luiz Mauricio de Garcia, CFO da Tenda (TEND3)

A construtora Tenda (TEND3), focada em habitação popular, pode ajustar suas projeções para 2026 caso o ritmo observado entre janeiro e fevereiro se mantenha, afirmou o CFO da companhia, Luiz Mauricio de Garcia, em entrevista ao Money Times. 

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Segundo o executivo, as vendas brutas nos dois primeiros meses deste ano cresceram 27% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a R$ 1 bilhão. “Se esse cenário se mantiver, provavelmente [o guidance será revisado para cima]”, disse. 

A companhia, inclusive, projeta alcançar um lucro líquido entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões em 2026, o que representa, no ponto médio da estimativa, um crescimento de cerca de 51% quando comparado com o lucro recorrente apurado em 2025. 

De acordo com Garcia, o desempenho mais robusto tem sido impulsionado por fatores operacionais, como melhorias na execução das obras, além do bom momento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) – eixo central da estratégia da empresa.  

Resultado forte e turnaround bem-sucedido

A Tenda já havia reportado números maiores no quarto trimestre de 2025 (4T25), quando o lucro líquido consolidado somou R$ 104,6 milhões, cerca de cinco vezes maior na comparação anual.  

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A performance marcou a confirmação do chamado processo de reestruturação, conhecido no mercado como “turnaround”, que é voltado à recuperação da rentabilidade. 

“O número [do 4T25] foi consequência de um processo de reestruturação bem-sucedido que fizemos no pós-pandemia, além da força do mercado de habitação dentro do MCMV”, disse o CFO. 

A construtora, vale lembrar, enfrentou dificuldades entre 2021 e 2022 após acelerar o ritmo de lançamentos e apostar em um modelo de torres mais altas, se afastando do seu modelo tradicional de construção, inspirado em uma linha de montagem. 

Com a pandemia, obras foram atrasadas, enquanto os custos de construção aumentaram. Para se ter uma ideia, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE, disparou 18,65% em 2021. 

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A alta pressionou os resultados e as margens da companhia, que chegou a reportar um prejuízo consolidado de R$ 547,3 milhões em 2022. 

Com o turnaround, porém, o movimento se inverteu, e a empresa registrou, em 2025, lucro líquido consolidado recorde de R$ 505,7 milhões. 

Não à toa, as ações TEND3 avançam mais de 110% na bolsa de valores (B3) no acumulado dos últimos 12 meses. Os papéis saíram de R$ 13,79, em março do ano passado, para os atuais R$ 29,37. 



O modelo de construção da Tenda 

Entre os fatores operacionais que ajudaram a melhorar as margens, para além do MCMV, está o modelo construtivo adotado pela companhia, que é baseado em formas de alumínio. 

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Nesse sistema, moldes são feitos no formato das paredes e da estrutura do imóvel e o concreto é despejado dentro dessas formas. 

Na prática, o método segue uma lógica mais industrializada de construção, com montagem padronizada, o que reduz a necessidade de mão de obra, acelera o ritmo dos projetos e ajuda a diminuir gastos.  

Com isso, segundo o executivo, hoje a mão de obra representa cerca de 33% do custo de construção da Tenda, abaixo dos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural.  

“O resultado do 4T25 vem dos fatores que a gente colocou [reestruturação pós-pandemia e momento do MCMV] e, no lado de custo, a gente está sendo muito bem-sucedido nesse nosso modelo construtivo”, afirmou. 

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“A forma de alumínio é quase como se fosse um sanduíche em que você concreta no meio. Isso simplifica e segue uma abordagem industrial. Essa metodologia navega melhor no ambiente de escassez e encarecimento de mão de obra, que tem sido o caso, já que o setor de construção civil no Brasil está muito aquecido.” 

Demanda estrutural por moradia 

A Tenda também vê a continuidade do cenário estruturalmente favorável para o segmento imobiliário no Brasil, impulsionado pela formação de novas famílias. 

O CFO lembrou, com base no último Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022, que o país forma cerca de 1,4 milhão de novas famílias por ano, enquanto os programas habitacionais, como o próprio MCMV, contratam pouco mais de 600 mil imóveis. “A demanda é muito maior do que a oferta”, afirmou. 

Questionado sobre possíveis impactos do cenário político, o executivo pontuou que a empresa não vê riscos relevantes à frente, mesmo em caso de alternância de governo nas eleições de outubro. 

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De acordo com ele, o Minha Casa, Minha Vida já atravessou diferentes gestões desde sua criação, em 2009, e se consolidou como uma política de Estado. “Não é um tema que preocupa.” 

Lançamentos devem acelerar 

Diante desse cenário, Garcia contou que a construtora pretende acelerar os lançamentos ao longo de 2026, se beneficiando dos ajustes previstos no programa habitacional.  

No início de março, o Ministério das Cidades propôs aumentar o limite de renda familiar em todas as faixas do MCMV, além de elevar o teto do valor dos imóveis para as faixas 3 e 4. 

Para a Tenda, o ponto central da proposta é o reajuste na faixa 1, que concentra cerca de metade da sua base de clientes. Pelos termos propostos, o limite de renda dessa faixa subiria dos atuais R$ 2.850 para R$ 3.200 

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Para passar a vigorar, porém, os novos valores dependem de aprovação do Conselho Curador do FGTS, prevista para o dia 24 de março. 

Desafios da Alea 

Apesar da melhora nos resultados da operação principal, a Alea, frente de negócios do grupo voltada à construção de casas pré-fabricadas, segue pressionando os números consolidados.  

A subsidiária registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no 4T25, enquanto no acumulado de 2025 totalizou R$ 130,4 milhões. 

De acordo com o CFO, o principal desafio da unidade está no custo das obras executadas nos canteiros, que tem ficado acima do esperado. 

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“Hoje, a Alea tem um modelo em que metade do processo construtivo é feito dentro de uma fábrica e a outra metade é feita no canteiro. E o problema de desvio de custo, razão pela qual a margem dela está negativa, é justamente esse gasto das obras no canteiro, que está muito mais caro do que o previsto”, afirmou.   

Para corrigir a distorção, o executivo disse que o grupo decidiu verticalizar a mão de obra — estratégia já utilizada pelo negócio Tenda — e reduzir a dispersão geográfica dos projetos. 

“Em Ribeirão Preto, Campinas e Bauru [no interior de São Paulo], por exemplo, contratamos uma equipe na principal cidade e, quando essa equipe terminar uma obra, ela vai para outra, porque todas estão num raio de atuação pequeno”, explicou. 

“Antigamente não era assim. Antigamente era muito disperso. Então, com isso, a gente consegue ter uma produtividade maior no canteiro.” 

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Dividendos até estão no radar, mas a prioridade é outra 

Ao ser perguntado sobre a distribuição de proventos, o CFO apontou que a remuneração aos acionistas também está no radar da construtora, embora não seja a prioridade no curto prazo. 

Ele ressaltou que a Tenda pretende aumentar o pagamento de dividendos no futuro — mas, primeiro, quer reduzir sua alavancagem financeira. 

Atualmente, a empresa tem cerca de R$ 266 milhões em dívida líquida. A título de comparação, em 2022, o valor era de R$ 799,9 milhões. 

“O objetivo da companhia é voltar a pagar acima do mínimo obrigatório [de 25% do lucro líquido ajustado]. Aliás, nós já fizemos isso no ano passado. Mas nosso objetivo é seguir desalavancando a operação. Uma vez que a dívida líquida chegue a zero, a Tenda deve ter um volume de pagamento de dividendos mais alto”, afirmou. 

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Recomendações para Tenda (TEND3) 

De sete bancos e casas de análise consultados pelo TradeMap, seis têm recomendação de compra para a construtora e um, de manter 

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
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