Tesla (TSLA) deve ser uma das primeiras beneficiadas com abertura do Canadá para veículos elétricos chineses
A Tesla (TSLA) está bem posicionada para ser uma das primeiras montadoras a se beneficiar da decisão do Canadá de remover tarifas de 100% sobre veículos elétricos (EVs) fabricados na China, graças aos seus esforços iniciais para enviar carros de sua fábrica em Xangai para o país e à sua rede de vendas já estabelecida no Canadá, dizem especialistas.
Pelo acordo anunciado na sexta-feira (16), o Canadá permitirá a importação anual de até 49 mil veículos provenientes da China, com tarifa de 6,1% nos termos de nação mais favorecida. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que a cota poderá aumentar para até 70 mil veículos em cinco anos.
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No entanto, uma cláusula do acordo reserva metade da cota para veículos com preço inferior a 35 mil dólares canadenses (US$ 25.189). Todos os modelos da Tesla custam acima desse valor.
Embora muitas montadoras chinesas estejam ansiosas para aproveitar a oportunidade à medida que expandem suas exportações, a Tesla tem vantagem porque, já em 2023, equipou sua fábrica de Xangai, sua maior e mais eficiente unidade em termos de custos no mundo, para produzir e exportar uma versão do Model Y específica para o Canadá.
Naquele mesmo ano, a montadora americana começou a enviar o modelo de Xangai para o Canadá, elevando as importações canadenses de automóveis provenientes da China para seu maior porto, Vancouver, em 460% na comparação anual, chegando a 44.356 unidades em 2023.
Mas a empresa foi forçada a interromper essas remessas em 2024 e passou a enviar veículos a partir de suas fábricas nos Estados Unidos e em Berlim, depois que Ottawa impôs tarifas de 100%, alegando o desejo de combater o que chamou de política estatal chinesa intencional de excesso de capacidade.
Atualmente, a Tesla envia ao Canadá Model Ys produzidos em Berlim, mas outras variantes, como o Model 3 mais barato, são majoritariamente fabricadas na China.
“Este novo acordo pode permitir a retomada dessas exportações com relativa rapidez”, disse Sam Fiorani, vice-presidente da empresa de pesquisa AutoForecast Solutions.
A Tesla possui uma rede de 39 lojas no Canadá, enquanto rivais chinesas como BYD e Nio ainda não têm presença de vendas no país. Além disso, a empresa provavelmente consegue avançar mais rápido com planos de marketing, já que possui apenas quatro modelos principais, bem menos que seus concorrentes chineses.
“A Tesla de fato tem vantagem por oferecer poucos modelos, versões e linhas de produção simples, o que lhe dá flexibilidade para vender carros produzidos em qualquer país para qualquer mercado, buscando a melhor eficiência de custos”, disse Yale Zhang, diretor-gerente da consultoria AutoForesight, sediada em Xangai.
A Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Outras marcas que exportavam carros fabricados na China para o Canadá antes das tarifas incluíam Volvo e Polestar, ambas pertencentes ao grupo automotivo chinês Geely.
Volvo e Polestar também não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
Oportunidades para marcas chinesas
Ainda assim, a cláusula de preço provavelmente dará algum fôlego às marcas chinesas.
“Os beneficiados provavelmente serão as montadoras chinesas e os consumidores canadenses em busca de um veículo de entrada”, disse Fiorani.
John Zeng, chefe de previsão de mercado para a China na consultoria GlobalData, sediada em Londres, afirmou que a cota também deve oferecer às montadoras chinesas a oportunidade de “testar o mercado” no Canadá, onde há uma grande população de sino-canadenses.
O Canadá pretende analisar joint ventures e investimentos com empresas chinesas nos próximos três anos para construir um veículo elétrico canadense com conhecimento chinês, informou a emissora pública CBC, citando um alto funcionário canadense.
A maior fabricante de EVs da China, a BYD, já possui uma fábrica de montagem de ônibus elétricos em Ontário, no Canadá.
Autoridades do governo Trump criticaram a decisão do Canadá. A antiga administração Biden quadruplicou as tarifas sobre EVs chineses para 100% em 2024, praticamente bloqueando essas exportações para os Estados Unidos.