Tesouro Direto pós-Copom: Taxas sobem e pagam até 14,18% aos investidores; entenda
Na abertura desta quinta-feira (19), as taxas do Tesouro Direto voltam a subir de forma mais firme, retomando o movimento de pressão na curva de juros após a trégua vista no fechamento anterior.
Entre os prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 avançou de 13,78% para 13,88%, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 saltou de 14,03% para 14,18%. Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,02% para 14,19% — um movimento mais intenso no trecho longo da curva.
Nos títulos atrelados à inflação, o roteiro se repete. O Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA + 7,72% para IPCA + 7,81%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 avançou de IPCA + 7,13% para IPCA + 7,25%. No longo prazo, o Tesouro IPCA+ 2050 voltou a ultrapassar a marca dos 7%, chegando a IPCA + 7,02%.
Os papéis com pagamento de cupons também acompanham a abertura: o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 subiu para 7,31%, e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 avançou para 7,23%.
Já o Tesouro Selic 2031 segue praticamente inerte, em Selic + 0,0969%, reforçando seu comportamento mais estável em meio à turbulência.
A piora no cenário geopolítico entra mais uma vez no radar do mercado. O petróleo voltou a disparar nesta quinta-feira (19), chegando a US$ 119 por barril, após uma nova onda de ataques a instalações energéticas estratégicas. O movimento reforça o temor de que os efeitos da guerra se estendam para além do previsto. O conflito já estende por três semanas.
Além disso, ontem, os investidores receberam a decisão de juros tanto aqui no Brasil quanto nos EUA. Apesar da já aguardada manutenção na taxa norte-americana, o mercado vê agora um corte mais provável apenas em março do ano que vem, o que acende um alerta.
Por aqui, o BC também optou por cautela, optando por cortar apenas 0,25 p.p – a expectativa antes da guerra era de uma queda de 0,50 p.p.
Leilões do Tesouro
Vale destacar que durante esta semana, o Tesouro Nacional tem feito leilões extraordinários de compra e venda de títulos na tentativa de dar maior liquidez aos papéis por meio de recompras. Trata-se da maior intervenção no mercado de títulos públicos em 10 anos.
O valor da recompra líquida já soma R$ 47 bilhões em cinco leilões extraordinários. Na operação desta quarta, o governo recomprou R$ 5,4 bilhões dos títulos prefixados LTN e NTN-F.
Para Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macroeconomia e dívida pública da Warren, a decisão do Tesouro de intervir logo e com força foi acertada e respondeu a um movimento de venda em massa de títulos públicos no fim da semana passada que havia distorcido o mercado.
“É uma estratégia do Tesouro de buscar equilibrar o mercado, trazer o mercado de volta à funcionalidade, e isso é muito importante porque sozinho o mercado levaria semanas para fazer isso”, disse, ressaltando que uma ausência de intervenção também poderia levar a uma espiral de piora no mercado.
*Com informações da Reuters