Estados Unidos (EUA)

Tesouro dos EUA quer homenagear Trump em moeda comemorativa de 1 dólar

15 out 2025, 12:51 - atualizado em 15 out 2025, 11:02
Trump (Foto: Jim WATSON / POOL / AFP)
Trump (Foto: Jim WATSON / POOL / AFP)

Donald Trump pode literalmente ir parar no bolso dos norte-americanos. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos trabalha em um rascunho de moeda comemorativa de US$ 1 que traz a efígie do presidente.

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A proposta integra as comemorações pelos 250 anos da independência americana, a serem celebrados em 2026. O que deveria ser um tributo histórico, porém, transformou-se — como quase tudo que envolve Trump — em um debate acalorado sobre legalidade, simbolismo e culto à personalidade.

O “espírito americano”, versão Trump

De um lado da moeda, Trump aparece em perfil, ladeado pela palavra “Liberty” e pelas datas “1776–2026”. Logo abaixo, a inscrição “In God We Trust” completa o conjunto de referências patrióticas.

No outro lado, o presidente é retratado de punho cerrado, expressão desafiadora e a frase “Fight, Fight, Fight” — as mesmas palavras que ele pronunciou após sobreviver à tentativa de assassinato em um comício na Pensilvânia, em 2024.

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A imagem foi publicada nas redes sociais pelo tesoureiro Brandon Beach, apresentada como um “rascunho real” em homenagem ao aniversário do país e ao “espírito americano que não se dobra”. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, endossou a proposta.

De acordo com o próprio Tesouro, o design ainda não é definitivo, mas “reflete o espírito duradouro da democracia americana, mesmo diante de grandes obstáculos”.

O impasse: o que diz a lei

A divulgação do rascunho abriu um embate jurídico digno de série política. A legislação que regula as emissões comemorativas do semiquincentenário (250 anos) impõe restrições específicas — sobretudo quanto a retratos de pessoas vivas.

O texto da lei proíbe, no verso das moedas, “retratos de cabeça e ombros ou bustos de qualquer pessoa, viva ou morta, e qualquer retrato de pessoa viva”.

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Na proposta, Trump aparece de corpo inteiro e punho erguido, o que, segundo alguns especialistas, poderia contornar tecnicamente a proibição, já que não se trata de um busto clássico. A manobra, porém, desafia o espírito da norma e reacende o debate sobre os limites do simbolismo político.

Moeda com imagem de Trump que poderá ser cunhada pelo Tesouro americano em homenagem aos 250 anos dos Estados Unidos — Foto: Reprodução redes sociais
Moeda com imagem de Trump que poderá ser cunhada pelo Tesouro americano em homenagem aos 250 anos dos Estados Unidos — Foto: Reprodução redes sociais

A base legal do projeto

A iniciativa se apoia na Lei de Redesenho de Moedas Colecionáveis Circulantes, aprovada pelo Congresso em 2020. O texto autoriza o Tesouro americano a emitir moedas especiais de US$ 1 entre janeiro e dezembro de 2026, com designs emblemáticos do aniversário de 250 anos dos Estados Unidos.

A mesma lei reforça que nenhum retrato de pessoa viva pode constar nessas moedas comemorativas. A única exceção moderna data de 1926, quando o então presidente Calvin Coolidge apareceu em uma moeda alusiva à Exposição da Independência — caso que hoje é lembrado como deslize histórico e alerta aos legisladores.

Um símbolo das contradições americanas

Se o projeto avançar, a moeda de Trump entrará para a história não apenas como parte das comemorações da independência, mas como um reflexo da divisão política americana — um país em que a linha entre mito e norma raramente é nítida.

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Em teoria, o dólar deveria ser neutro, símbolo do Estado e não de um indivíduo. Na prática, a peça com o rosto de Trump resume uma velha contradição: os Estados Unidos são ao mesmo tempo a pátria do liberalismo e o berço dos super-heróis.

Enquanto o design final não é aprovado, o Tesouro americano ganha tempo — e publicidade gratuita. Mesmo que a versão com o punho cerrado jamais venha a ser cunhada, o simples esboço já cumpre seu papel simbólico: reafirmar o poder de uma figura que continua moldando o imaginário político do país.

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Jornalista com pós-graduação em Literatura, Artes e Filosofia. Atua como repórter nos portais de notícias Money Times e Seu Dinheiro, onde também já trabalhou como Analista de SEO.
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