Citi rebaixa TIM (TIMS3) após ação saltar mais de 63%; papel figura entre as poucas quedas do Ibovespa hoje
O Citi rebaixou a recomendação das ações da TIM (TIMS3) de compra para neutra e cortou o preço-alvo para os próximos 12 meses, em revisão das expectativas para o setor de telecomunicações.
O banco reduziu o preço de R$ 27 para R$ 25 – o que representa um potencial de valorização de 3,1% sobre o preço de fechamento de ontem (20), quando a ação encerrou cotada a R$ 24,25.
“Fomos otimistas com TIM por algum tempo, não apenas como um veículo mais ‘limpo’ para capturar tendências favoráveis do móvel no pós-consolidação, mas também em função de perspectivas mais fortes de crescimento de fluxo de caixa e valuation mais barato”, escreveram os analistas André Cardona, Leandro Bastos, Luiz Felipe e Renan Prata.
A equipe, porém, afirmou que os dados recentes justificam uma visão menos construtiva quanto à competição no segmento móvel, como os “ventos contrários de portabilidade e continuidade da diluição de participação das incumbentes no pós-pago”.
Os analistas do Citi ainda destacam que a recente valorização das ações foi impulsionada, principalmente, por expansão de múltiplos – o que “piorou” a relação de risco-retorno sob a ótica de valuation.
A TIM acumula valorização de 63% nos últimos 12 meses, ante alta de 39% das ações da Telefônica Vivo (VIVT3) e de 35% do Ibovespa (IBOV).
Em reação ao rebaixamento do Citi, as ações da operadora chegaram a cair 2,35%, a R$ 23,68, assumindo a liderança da ponta negativa do Ibovespa nos primeiros minutos de negociações nesta quarta-feira (21).
Por volta de 10h50, TIMS3 tinha baixa de 0,37%, a R$ 24,16 – acompanhada por Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e sendo as únicas quedas do principal índice da bolsa brasileira.
O que esperar do setor?
O Citi reforçou uma postura “cautelosa” em relação ao setor de telecomunicações, sustentada pela desaceleração contínua da Receita de Serviços Móveis (MSR) , além da persistente diluição de participação de mercado no pós-pago.
“Com a recente valorização das ações, amplamente impulsionada por expansão de múltiplos, a assimetria de valuation já não é a mesma: os dividend yields [rendimento de dividendos] agora estão em dígitos simples, os múltiplos de P/L [preço sobre lucros] em patamares de baixos a médios, e os TIRs (Taxa Interna de Retorno) implícitos parecem menos atraentes em relação ao risco livre no Brasil e/ou a outras ações vistas como ‘bond proxies’.”
Nas contas do banco, a TIM oferece um dividend yield de 8,3% e a Vivo, de 6,7%, considerando os níveis de valuations atuais.
Para o quarto trimestre, os analistas esperam um “quadro misto” na receita, em que Vivo deve mostrar uma recuperação e TIM, uma desaceleração. As duas companhias, porém, devem apresentar tendências resilientes de geração de caixa.
A recomendação neutra das ações VIVT3 foi mantida.