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Trabalhadores da JBS iniciam 1ª greve de frigoríficos nos EUA em 40 anos

16 mar 2026, 18:32 - atualizado em 16 mar 2026, 18:32
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(Foto: Divulgação)

Funcionários em greve da JBS (JBSS32) saíram às ruas de Greeley, Colorado, nos Estados Unidos, antes do nascer do Sol nesta segunda-feira (16) para fazer manifestação contra a maior empresa de carne do mundo, em uma rara paralisação em um frigorífico dos Estados Unidos e um sinal de agitação no setor de carne bovina.

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O sindicato que representa cerca de 3.800 funcionários da fábrica de processamento de carne disse que foi a primeira vez que os trabalhadores de frigoríficos dos EUA entraram em greve em quatro décadas. Eles iniciaram uma greve de duas semanas e permanecerão mobilizados até que a JBS negocie de forma justa com os trabalhadores, disse o sindicato.

Os trabalhadores cruzaram os braços por causa de aumentos salariais que, segundo eles, não correspondem à inflação e por causa de cobranças por equipamentos de segurança. A JBS disse que fez uma oferta justa.

A disputa reduz a capacidade de produção de carne bovina dos EUA em um momento em que os consumidores enfrentam preços recordes para hambúrgueres e bifes e o presidente norte-americano, Donald Trump, tem feito promessas para reduzir inflação. Os preços da carne dispararam depois que uma seca de anos que levou pecuaristas a reduzirem rebanhos ao nível mais baixo em 75 anos.

Normalmente, os frigoríficos abatem rapidamente o gado para alimentar a demanda do varejo por carne bovina. No entanto, a escassez de oferta de gado forçou os processadores de carne a pagar altos custos pelo gado, o que provavelmente deixou a JBS menos incentivada a resolver a greve rapidamente, disseram economistas.

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“Por que você teria pressa se já está perdendo dinheiro com o funcionamento da fábrica?”, disse Altin Kalo, economista do Steiner Consulting Group.

No mês passado, os processadores de carne nos EUA estavam perdendo mais de US$300 por cabeça em cada animal abatido, de acordo com o serviço de consultoria de marketing de gado HedgersEdge.com, com sede em Denver. Nesta segunda-feira, o lucro foi estimado em cerca de US$60 por cabeça. As margens melhoraram recentemente, pois a iminência da greve ajudou a pressionar os preços do gado, enquanto a demanda por carne bovina permaneceu forte, disseram analistas.

Trabalhadores mobilizados

“Queremos ser tratados como seres humanos”, disse a funcionária da JBS Deborah Rodarte em um comunicado do sindicato.

A JBS reduziu a produção na fábrica antes da greve na semana passada e disse na sexta-feira que planejava começar a operar em um dos dois turnos na segunda-feira. A capacidade da empresa de processar carne bovina não estava clara, uma vez que o sindicato disse que representa todos os trabalhadores da produção.

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“Esta manhã, muitos membros da equipe da JBS Greeley optaram por se apresentar ao trabalho em vez de participar da greve convocada pelo UFCW Local 7, e esperamos que esse número continue aumentando nos próximos dias”, disse a porta-voz da JBS, Nikki Richardson.

A JBS afirmou que transferirá a produção, conforme necessário, para outras instalações que tenham capacidade de processamento excedente.

Frigoríficos ganham vantagem

A greve reduziu ainda mais a capacidade de processamento da carne dos EUA, depois que a Tyson Foods fechou uma fábrica de carne bovina em Nebraska este ano e reduziu as operações em uma instalação no Texas.

A perda de capacidade dá aos frigoríficos mais poder de influência sobre os preços do gado, dizem analistas. Alguns pecuaristas estão redirecionando suas remessas para outras instalações durante a disputa.

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O Departamento de Agricultura dos EUA disse que estava monitorando o impacto sobre o suprimento de carne bovina do país.

Os preços de varejo da carne moída 100% bovina atingiram um recorde de US$6,70 por libra no mês passado, um aumento de cerca de 17% em relação ao ano anterior, segundo dados do governo dos EUA.

Alguns consumidores mudaram para tipos de carne mais baratos, embora os analistas tenham dito que a demanda por carne bovina continua robusta.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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