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Traders de ações se tornam espécie ameaçada em Wall Street

23/12/2019 - 12:07
Maquinização de negociações reduz espaço para humanos (Imagem: Reuters/Brendan McDermid)

De alguma forma, o período de ganhos mais longo do mercado acionário ignorou completamente os traders de ações de bancos.

Comprar e vender ações para clientes como hedge funds, fundos mútuos e outros investidores costumavam ser um negócio de peso para bancos de investimento.

Essas instituições montaram grandes mesas de trading durante a expansão do mercado acionário na década de 1990 e início dos anos 2000, atraindo operadores com salários de seis dígitos e bônus generosos.

Mas o número de traders de renda variável está em queda constante há uma década, mesmo com o rali do mercado global em níveis recordes.

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Menos traders, mais máquinas

Os últimos 12 meses foram particularmente complicados, já que vários grandes bancos reduziram as operações de trading, especialmente na Europa.

O maior exemplo é o Deutsche Bank, que anunciou sua saída das negociações de renda variável, mas HSBC, UBS, Macquarie e Citigroup também já fizeram ou planejam fazer cortes profundos, disseram pessoas a par do assunto.

O número de traders de renda variável em bancos agora é o mais baixo desde bem antes da crise financeira.

Existem muitas razões para o longo declínio. Com a expansão do investimento passivo, a negociação de ações por meio de bancos e corretoras diminui.

O trading eletrônico reduziu margens e formadores de mercado, como Citadel Securities ou Virtu Financial, ganharam espaço de bancos de investimento. Ao mesmo tempo, novos regulamentos, particularmente na Europa, tornaram as negociações mais caras para os bancos.

“Foi um ano de horror para operadores de ações de bancos”, disse Klaus Schinkel, ex-executivo da divisão de mercado de capitais do Macquarie, que agora comanda a operação alemã do Edison Group, uma empresa de pesquisa de investimentos.

“Veremos mais retração em bancos pequenos e médios que tentam fazer tudo.”

Bancos na berlinda

O problema é mais grave na Europa, onde mercados financeiros fragmentados e meia década de taxas de juros negativas já colocaram muitos bancos na berlinda.

Há pelo menos quatro anos, bancos de investimento europeus perdem participação de mercado para rivais nos Estados Unidos, segundo dados compilados pela Bloomberg Intelligence.

O ano de 2019 não é exceção: o ritmo de queda da receita de instituições europeias foi quase o dobro da taxa de bancos nos EUA.

peradores na bolsa de valores de Nova York (EUA)
Ritmo de demissões nos EUA é metade do visto na Europa (Imagem:Reuters/Brendan McDermid)

As demissões nas mesas de trading de renda variável fazem parte de uma crise mais ampla do setor bancário europeu. A força de trabalho de bancos da região deve encolher em 63 mil pessoas este ano, segundo planos anunciados.

O HSBC deve dar detalhes sobre a reestruturação das operações de trading em fevereiro. O Société Générale planeja 1.600 demissões, mas ainda não está claro quantos cortes atingirão o segmento de renda variável.

Enquanto isso, o UBS está diminuindo recursos destinados ao banco de investimento, disseram pessoas a par do assunto.

Última atualização por Valter Outeiro da Silveira - 23/12/2019 - 12:09

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