Trading: o que você precisa saber antes de entrar nesse mercado
Apesar de as operações de day trade e swing trade serem de curto prazo, quem pretende começar no mundo do trading deve entender que se trata de uma atividade de longo prazo e requer muito estudo. Nada de querer ficar milionário rápido ou de tomar riscos excessivos logo de cara.
Esta é a visão compartilhada por dois especialistas consultados pelo Money Times: Lucas Costa, head de análise técnica do BTG Pactual, e Paula Reis, influenciadora e criadora do canal “Mulher Trader”. Os dois começaram no mundo do trade por volta de 2016.
Lucas Costa era do meio acadêmico em Juiz de Fora (MG), onde tinha uma rotina de estudos rigorosa e flexibilidade de tempo. Começou operando com criptomoedas, que era seu tema de pesquisa de mestrado. Já Paula Reis começou por acaso. Após deixar a vida de bancária e falir um negócio próprio, foi buscar conhecimento em análise gráfica para investir em ações e descobriu o trade como uma profissão.
A reportagem conversou também com Renan Schroeder, head de varejo da corretora Mirae Asset Brasil.
Os três dão dicas para quem pensa em entrar no mundo do trading. Confira algumas a seguir.
Primeiro passo: busque conhecimento
O primeiro passo, na avaliação de Lucas Costa, é conhecer bem o funcionamento do mercado. “Às vezes, o iniciante quer pular direto para as operações sem conhecer as características dos produtos”, afirma.
É preciso entender sobre mercado à vista e o mercado futuro – que oferece a possibilidade de operar contratos que representam outros ativos da bolsa, como o índice da bolsa ou o dólar.
É crucial conhecer as especificações do produto a ser operado: como funciona o contrato, quais são seus drivers (fatores que movem o preço), qual o tamanho, a margem necessária, os custos e a tributação. Muitos iniciantes pulam essa etapa, alertam os especialistas.
E como buscar esse conhecimento? Vai depender de cada pessoa: se prefere curso presencial ou online, se é mais autodidata etc.
Para quem quer conhecimento online, por exemplo, a dica de Paula Reis é buscar bons educadores financeiros, que buscam ensinar com ética e respeitar a jornada do aluno. É preciso cautela com influenciadores que prometem riqueza fácil sem oferecer conteúdo de qualidade, alerta ela.
Lucas Costa recomenda não apenas ler grandes manuais de análise técnica e histórias de grandes traders, mas também manter um diário pessoal de trading, para planejar operações, registrar emoções e revisar cada trade para saber onde e por que errou ou acertou.
Nada de ‘pular de galho em galho’
Outro ponto essencial, diz Lucas Costa, é definir uma metodologia de operação respeitando três pilares do trading:
- O aspecto técnico (a técnica operacional);
- O gerenciamento de risco (dimensionamento de posições, stops e objetivos);
- E o aspecto comportamental/psicológico (como o trader reage a ganhos e perdas, que é um dos maiores desafios).
Paula Reis destaca três etapas para uma forma estruturada de iniciar no trade:
- Estudar o operacional de um profissional de confiança por cerca de três meses;
- Passar mais três meses tentando replicar a estratégia em uma conta simulada;
- Avançar gradualmente, aumentando a exposição — por exemplo, operando mais minicontratos.
Um erro comum, alerta ela, é trocar constantemente de técnicas operacionais, o que resulta em uma “salada mista” de informações e impede o domínio de qualquer estratégia.
Produtos e simuladores
Os contratos mais populares para o day trade são os mini índice e mini dólar, chamados “mini” porque a margem de garantia é adaptada para o varejo, viabilizando o acesso de iniciantes (hoje em torno de R$ 140 a R$ 150 por contrato).
Lucas Costa sugere começar com um mini contrato e, posteriormente, ir aumentando.
O “Bitfut” (contrato futuro de Bitcoin) também surge como uma opção mais simples para iniciantes, com margem menor (R$50) e stop financeiramente menos “dolorido”, sugere Paula Reis.
Schroeder destaca que muitas plataformas oferecem contas simuladas que replicam o mercado. Ele recomenda que o iniciante utilize esse ambiente para testar sua metodologia antes de migrar para uma conta real, com dinheiro de verdade.
As plataformas também possuem gerenciadores de risco, em que é possível definir limites de perda para que a plataforma trave automaticamente as operações, evitando decisões impulsivas. Não habilitar esses recursos pode ser uma autossabotagem, alerta a “Trader Mulher”.
Para quem utiliza análise de gráficos, a orientação é treinar a identificação correta dos pontos de entrada e saída, evitando decisões baseadas no emocional. Com o tempo, essas metas podem ser ampliadas gradualmente.
Ajustando expectativas
Em relação às metas financeiras, o analista da Mirae sugere começar com objetivos modestos, como R$ 50 por dia. Ele alerta que um erro comum entre iniciantes é se basear em conteúdos de redes sociais, onde influenciadores exibem ganhos elevados.
“Ver pessoas dizendo que ganharam R$ 18 mil, R$ 25 mil ou R$ 100 mil em um dia e achar que isso vai acontecer rapidamente é um equívoco. Isso não vai acontecer”, afirma.
Começar aos poucos, diz, é fundamental. “Existe uma frase muito comum no mercado financeiro de que o mercado não é para amadores. Você não pode querer competir com grandes players sem ter aprendido antes. É preciso começar pequeno.”
*Com supervisão de Maria Carolina Abe