Trígono esclarece por que não assinou compromisso de voto e ‘melou’ negócio entre Kepler Weber (KEPL3) e GPT
A Trígono Capital veio a público nesta terça-feira (3) para esclarecer por que não quis assinar um compromisso de voto no âmbito da potencial combinação de negócios entre a Kepler Weber (KEPL3) e empresas ligadas ao grupo GPT. Na manhã de hoje, por conta desta decisão da Trígono, a GPT desistiu do acordo. Por volta de 15h18, as ações da Kepler recuavam 13,19%.
Segundo comunicado, as tratativas — conduzidas no contexto do chamado Project Karnaval — envolveram uma proposta de combinação entre a Kepler e empresas vinculadas à GPT, incluindo a GSI, concorrente da companhia no segmento de armazenagem de grãos.
Durante cerca de quatro meses de negociações, foram discutidos documentos típicos de operações dessa natureza, como acordo de não concorrência, confidencialidade e cláusulas de não aliciamento.
O impasse surgiu após a apresentação de uma minuta de “Compromisso de Voto”, que previa obrigação irrevogável e irretratável de comparecimento e voto favorável à operação em eventual Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
A Trígono afirmou que, na qualidade de gestora fiduciária de recursos de terceiros — sujeita à Lei nº 6.385/76 e à regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) —, não pode assumir uma obrigação que implique vinculação antecipada de voto.
De acordo com a gestora, seu dever fiduciário exige análise técnica, independente e contextualizada de cada deliberação assemblear, com base nas informações disponíveis no momento da decisão e no melhor interesse de cada fundo sob gestão.
Ainda conforme o comunicado, essa limitação jurídica e regulatória teria sido formalmente informada às partes durante as negociações. Mesmo assim, a GPT condicionou a assinatura do acordo à celebração do compromisso de voto por parte da Trígono, seus fundos e seu CIO.
A Trígono ressaltou que sua decisão não representa um juízo prévio sobre o mérito econômico da operação. A gestora afirmou que, caso a proposta fosse formalmente submetida à AGE da Kepler Weber, avaliaria a matéria de forma técnica e fundamentada, considerando laudos, condições econômicas, impactos societários, governança, liquidez e potencial geração de valor aos acionistas.
Por fim, a Trígono reiterou seu compromisso com a governança corporativa, a transparência e a integridade do mercado de capitais, afirmando permanecer aberta ao diálogo institucional.