Trump cobra proteção do Estreito de Ormuz, mas Japão e Austrália descartam enviar navios
As solicitações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para formar uma coalizão que ajude a reabrir o Estreito de Ormuz não parecem ter tido efeito nesta segunda-feira (16), após aliados como Japão e Austrália afirmarem que não enviarão navios da Marinha ao Oriente Médio para escoltar embarcações pela estratégica hidrovia.
Com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã criando turbulência em toda a região e abalando os mercados globais de energia em sua terceira semana, Trump insistiu no domingo (15) que as nações que dependem fortemente do petróleo do Golfo têm a responsabilidade de proteger o estreito, por onde transitam 20% da energia mundial.
Os mercados asiáticos reagiram com cautela: o petróleo Brent subiu mais de 1%, acima de US$ 104,50, e os mercados de ações regionais ficaram, em sua maioria, mais fracos, diante de preocupações sobre riscos para instalações de petróleo do Oriente Médio e após o apelo de Trump para maior envolvimento dos aliados.
“Estou pedindo que esses países protejam seu próprio território, porque é o território deles”, declarou Trump a repórteres a bordo do Air Force One, a caminho da Flórida para Washington. “É o lugar de onde eles obtêm sua energia.”
Trump afirmou que seu governo já entrou em contato com sete países, sem identificá-los. No fim de semana, ele publicou em rede social que esperava que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros se engajassem.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, firme apoiadora de Trump, disse nesta segunda-feira que o país, limitado por sua constituição que renuncia à guerra, não planeja enviar navios para escoltar embarcações no Oriente Médio, de onde obtém 95% de seu petróleo.
“Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a examinar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal”, afirmou Takaichi ao Parlamento.
A Austrália, outro aliado importante dos EUA no Indo-Pacífico, que também depende fortemente de petróleo do Oriente Médio, declarou que também não enviará navios de guerra para ajudar na reabertura do estreito.
“Sabemos o quão importante isso é, mas não nos foi solicitado nem estamos contribuindo”, disse Catherine King, membro do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, em entrevista à emissora estatal ABC.
Trump pode adiar visita a Pequim sem apoio da China
Trump afirmou ao Financial Times que esperava que a China ajudasse a desbloquear o estreito antes de sua reunião com o presidente Xi Jinping, em Pequim, no final deste mês, e que poderia adiar a viagem caso a China não fornecesse assistência.
“Acho que a China também deveria ajudar, porque obtém 90% de seu petróleo do estreito”, disse Trump. “Podemos adiar” a visita se a China não oferecer apoio no Golfo.
O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Trump também pressionou aliados europeus a ajudarem a proteger o estreito, alertando que a Otan enfrentará um futuro “muito ruim” se seus membros não apoiarem Washington.
Ministros das Relações Exteriores da União Europeia discutirão nesta segunda-feira o reforço de uma pequena missão naval no Oriente Médio, mas não se espera que decidam estender seu papel ao Estreito de Ormuz, segundo diplomatas e autoridades.