Internacional

Trump comprou títulos da Netflix e da Warner Bros no auge da disputa com a Paramount

09 mar 2026, 13:30 - atualizado em 09 mar 2026, 13:16
Netflix
(Imagem: Unsplash/Venti Views)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comprou mais de US$1,1 milhão em títulos da Netflix nos últimos três meses, enquanto a gigante do streaming lutava contra a Paramount Skydance para comprar a Warner Bros Discovery, de acordo com informações do governo.

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Trump comprou mais de US$ 500 mil em títulos da Netflix em duas transações nos dias 12 e 16 de dezembro, e outros US$ 600 mil em outras duas negociações nos dias 2 e 20 de janeiro, conforme mostram os documentos divulgados pelo governo. A Casa Branca informou uma faixa de valores, em vez de quantias exatas, entre pouco mais de US$1,1 milhão e US$2,25 milhões.

As aquisições ocorreram enquanto o presidente republicano e seus funcionários da área regulatória criticavam a Netflix na imprensa, questionando se o acordo resistiria ao escrutínio antitruste e pressionando a companhia a demitir a membro do conselho Susan Rice, ex-assessora do ex-presidente democrata Barack Obama.

Não está claro se Trump lucrou ou perdeu dinheiro com os títulos da Netflix, que pagavam uma taxa de juros de 5,375% e vencem em novembro de 2029, já que o documento não revela se ou quando o presidente vendeu os ativos.

Trump, assim como outros presidentes dos EUA, está isento das leis de conflito de interesses que proíbem outros funcionários do Poder Executivo de investir em empresas com negócios com o governo. Acredita-se que ele tenha comprado os títulos por meio de um fundo fiduciário administrado por seus filhos.

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“Os bens do presidente Trump estão em um fundo administrado por seus filhos”, disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly. “Não há conflitos de interesse.”

O negócio, que teria deixado a empresa combinada com cerca de US$ 85 bilhões em dívidas, pressionou imediatamente os títulos da Netflix. Eles estavam sendo negociados a US$ 1,03 e US$ 1,04 por valor de face quando Trump os comprou, em 12 e 16 de dezembro, e a US$ 1,04 e US$ 1,03 em sua segunda rodada de compras, em 2 e 20 de janeiro, segundo dados compilados pela LSEG.

Trump também adquiriu entre US$500.002 e US$1 milhão em títulos da Warner Bros em duas operações nos dias 12 e 16 de dezembro. Na ocasião, os títulos eram negociados a 91,75 centavos de dólar e 92 centavos de dólar. Agora, valem 95 centavos. Se ele manteve esses papéis, estaria “no lucro” (in the money) agora.

Dias depois do anúncio da fusão da Warner com a Netflix, em 5 de dezembro, Trump começou a questionar a viabilidade do acordo, dizendo a jornalistas que a concentração de poder de mercado “poderia ser um problema”.

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A Paramount, dirigida pelo filho de Larry Ellison, aliado de Trump e megadoador republicano, tornou pública sua oferta hostil de aquisição em 8 de dezembro, dando início a uma guerra de lances entre as duas empresas.

A Netflix desistiu da disputa após a Paramount apresentar uma oferta de US$110 bilhões há cerca de duas semanas. A transação com a Paramount será financiada por US$39 bilhões em novas dívidas fornecidas por Bank of America, Citigroup e Apollo, de acordo com o anúncio feito pelas empresas em 27 de fevereiro.

Os últimos relatórios do Escritório de Ética Governamental dos EUA, datados de 27 de fevereiro, foram publicados online na semana passada.

Trump, um investidor imobiliário, já declarou anteriormente mais de US$1 bilhão em ativos. Ele mantém interesses comerciais que abrangem criptomoedas, clubes de golfe e outros contratos de licenciamento.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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