Trump critica Fed e diz que indicados ‘mudam’ após assumir comando; substituto de Powell deve ser anunciado ‘em breve’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar publicamente o Federal Reserve durante discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, nesta quarta-feira (21), ao afirmar que dirigentes do banco central “mudam de comportamento” depois de assumir o cargo e passam a elevar os juros sem dialogar com a Casa Branca.
Trump disse que pretende anunciar “em um futuro não muito distante” um novo presidente do Fed e elogiou os candidatos que entrevistou para o posto, afirmando que todos são “excelentes”. Ainda assim, voltou a demonstrar frustração com a atuação da autoridade monetária.
“Todos dizem tudo o que eu quero ouvir antes de assumir. Depois que conseguem o cargo, ficam presos por seis anos e, de repente, resolvem aumentar os juros”, afirmou. “É incrível como as pessoas mudam depois que conseguem o emprego.”
A declaração foi interpretada como uma nova alfinetada ao atual chair do Fed, Jerome Powell, nomeado por Trump em seu primeiro mandato, mas com quem o presidente entrou em conflito reiteradas vezes por causa da condução da política monetária. Trump voltou a questionar a elevação das taxas de juros, mesmo em um cenário que, segundo ele, é de inflação controlada e forte crescimento econômico.
As críticas reacendem o debate sobre a independência do Federal Reserve. Por desenho institucional, o banco central dos EUA atua de forma autônoma em relação ao Executivo justamente para definir a política monetária sem pressões políticas, com foco no controle da inflação e na estabilidade financeira.
Em Davos, Trump afirmou que a economia americana está em “plena expansão” e que a inflação foi praticamente derrotada, argumento que ele usa para sustentar sua defesa de juros mais baixos. Ao mesmo tempo, suas falas levantaram preocupações entre investidores e analistas sobre o risco de maior interferência política no Fed caso o presidente avance com mudanças na liderança da instituição.
O discurso reforçou a visão de que, em um eventual segundo mandato mais assertivo, Trump pode intensificar o embate com o banco central, tema sensível para os mercados globais atentos à credibilidade da política monetária americana.