Turbulência no mercado global impulsiona ETFs de emergentes, que caminha para recorde
Os ETFs de ações de mercados emergentes têm atraído entradas substanciais desde o início do ano, impulsionados por avaliações mais baratas e perspectivas de crescimento, apesar de os mercados enfrentarem tensões geopolíticas e uma queda nos mercados globais de títulos.
Segundo a Refinitiv Lipper, os ETFs de ações de mercados emergentes atraíram cerca de US$ 14 bilhões em entradas até agora neste ano, o maior volume entre as categorias, e estão a caminho de estabelecer um recorde mensal. O recorde anterior, de US$ 10,9 bilhões, foi registrado em março de 2021.
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Até o momento neste ano, os ETFs de ações dos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 2,1 bilhões.
“Os fortes retornos das ações de mercados emergentes em 2025, que superaram os resultados dos Estados Unidos e dos mercados desenvolvidos internacionais, aumentaram o interesse, juntamente com um dólar mais fraco e a busca por crescimento fora dos mercados desenvolvidos mais caros”, disse Alan Kosan, chefe de estratégia da Segal Marco Advisors.
“Esses fatores tendem a atrair investidores novos para a classe de ativos, bem como aqueles que estão rotacionando a partir de outras exposições a estratégias de ações”.
As entradas também foram reforçadas por uma renovada estratégia de “Vender América”, à medida que investidores reduzem a exposição a ativos norte-americanos com avaliações elevadas e migram para mercados emergentes com maior visibilidade de crescimento.
Reforçando essa mudança, houve uma saída de US$ 3,7 bilhões de ETFs de ações focados nos Estados Unidos nesta semana, de acordo com dados da Lipper, enquanto os ETFs de ações de mercados emergentes atraíram US$ 2,7 bilhões.
James Fletcher, diretor de investimentos da Ethos Investment Management, apontou ventos favoráveis vindos de empresas de tecnologia da Coreia do Sul e de Taiwan, que se beneficiam da demanda relacionada à inteligência artificial, do aumento dos preços das commodities e de uma rotação para ações chinesas.
“Acreditamos que a superação de desempenho dos mercados emergentes é mais duradoura do que apenas uma operação de curto prazo, devido ao crescimento estrutural em mercados como o Sudeste Asiático e a Índia, além de fortes estimativas de crescimento de lucros em todo o universo de mercados emergentes”.
Neste ano, o índice MSCI Mercados Emergentes subiu 5,4%, em comparação com 0,9% do índice MSCI World e 0,4% do índice MSCI Estados Unidos.
O índice MSCI EM apresenta uma relação preço/lucro projetada para os próximos 12 meses de 13,5, bem abaixo dos 19,9 do MSCI World e dos 22,3 do índice MSCI Estados Unidos.