Comprar ou vender?

Ultrapar (UGPA3) é a nova ‘top pick’ do BTG para o setor de óleo e gás; por que comprar a ação agora?  

16 jan 2026, 13:10 - atualizado em 16 jan 2026, 13:10
Ipiranga, Ultrapar
(Imagem: YouTube/Grupo Ultra)

Em revisão do setor de óleo e gás, o BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Ultrapar (UGPA3).  

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O banco também elegeu a companhia como a preferida (top pick) do setor, com preço-alvo de R$ 31 – o que representa um potencial de valorização de 39,3% nos próximos 12 meses sobre o preço de fechamento de quinta-feira (15). Ontem, as ações encerraram as negociações cotadas a R$ 22,26.  

Em reação, as ações da companhia figuram entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão desta sexta-feira (16). Por volta de 12h30 (horário de Brasília), UGPA3 tinha avanço de 1,21%, a R$ 22,53. Mais cedo, os papéis chegaram a subir mais de 2%.



Em relatório, os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha destacam que a estratégia “renovada” da Ultrapar e a abordagem mais ativa da gestão de portfólio — após mudanças em sua estrutura acionária — melhoraram “de forma relevante” a tese de investimento da companhia.  

“Com um portfólio diversificado focado em energia (Ipiranga e Ultragaz) e infraestrutura (Hidrovias e Ultracargo) no Brasil, esperamos que a Ultrapar continue buscando crescimento rentável, mirando ROIC (sigla para Retorno sobre o Capital Investido) acima de 20% em seus negócios, e entregue menor volatilidade de resultados em comparação com distribuidoras de combustíveis”, escreveram os analistas em relatório.  

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Por que comprar UGPA3?  

Os analistas do BTG Pactual avaliam que a alavancagem da Ultrapar cria espaço para novas aquisições ou maiores distribuições.  

Nas contas do banco, a companhia deve atingir um nível de endividamento de 1,6 vez a dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) até o final de 2026.  

O número já incorpora o pagamento de dividendos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão ao longo deste ano – o que corresponde a cerca de 5% de dividend yield (rendimento do dividendo).  

“Isso deixa a companhia com um balanço confortável, em nossa visão”, afirmaram os analistas 

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A dupla destaca que a companhia tem um espaço de R$ 3,1 bilhões – 13% do valor de mercado – para buscar novas oportunidades de crescimento ou aumentar as distribuições aos acionistas, considerando os esforços da gestão para atingir uma alavancagem recorrente de cerca 2,0x dívida líquida/Ebitda.  

Além disso, a Ultrapar está em um momento positivo em todas as unidades de negócio.  

“Gostamos particularmente da abordagem disciplinada da Ultrapar na alocação dos fluxos de caixa excedentes da Ipiranga, seu negócio de distribuição de combustíveis gerador de caixa, em novas oportunidades de crescimento orgânico e/ou inorgânico”, diz o relatório. 

“Embora a administração ainda não tenha comprovado plenamente seu histórico após o mais recente processo de reciclagem de portfólio, acreditamos que uma reviravolta bem-sucedida na Hidrovias poderia melhorar significativamente o sentimento em relação à tese de holding de longo prazo”, acrescentaram os analistas.  

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Ipiranga 

Nas contas da dupla, a Ipiranga deve reportar uma margem Ebitda de cerca de R$ 165/m³ em 2026 (contra R$140/m³ em 2025 e R$144/m³ em 2024), sustentada por crescimento de volumes de aproximadamente 2,5% na base anual.  

“Nossa visão é apoiada pela redução de atividades irregulares no mercado brasileiro de combustíveis, o que acreditamos que pode levar a um ambiente competitivo mais saudável.” 

Ultragaz 

No negócio da Ultragaz, o BTG acredita que as mudanças regulatórias propostas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) no ano passado – por exemplo, o enchimento parcial de botijões de gás liquefeito (GLP), conhecido como “gás de cozinha” –, dificilmente serão implementadas, “pois poderiam introduzir instabilidade regulatória no mercado de GLP”.  

Os analistas também veem um impacto limitado sobre os preços finais e potenciais aumentos nos riscos de segurança, “o que poderia abrir espaço para agentes irregulares”. 

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O banco projeta uma margem Ebitda de R$1.045 por tonelada em 2026, ante R$1.035/t em 2025. O número assume a “disrupção regulatória limitada e contribuições contínuas de novos negócios – como Stella e Neogas.” 

Hidrovias do Brasil 

Os analistas do BTG ainda esperam que a gestão da Hidrovias permaneça focada na racionalização de investimentos (capex) e em melhoras de eficiência operacional para elevar o ROIC.  

Eles também destacam que o negócio deve seguir buscando, de forma seletiva, oportunidades para expandir marginalmente a capacidade em 2026 e 2027.  

Ultracargo 

Para a Ultracargo, o BTG Pactual espera a manutenção da trajetória recente de crescimento, com Ebitda alcançando cerca de R$634 milhões neste ano, o que representa um crescimento de 10% na base anual, impulsionado por crescimento de capacidade e de maior giro de ativos. 

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Fatia na Rumo?  

Em novembro do ano passado, o Brazil Journal noticiou que a Ultrapar havia adquirido uma participação pouco abaixo de 5% na Rumo (RAIL3). No mês seguinte, a Cosan (CSAN3)  confirmou a venda de uma fatia de cerca de 4,96% da companhia de logística.  

“Dado o amplo conhecimento do CEO Marcos Lutz sobre o setor ferroviário brasileiro e a Rumo, devido a suas funções anteriores na Cosan, e o fato de a Ultrapar não ter negado explicitamente a aquisição de uma participação na Rumo, permanece incerto para nós se a Ultrapar de fato construiu uma participação minoritária na companhia”, diz o relatório.  

Embora a Ultrapar não tenha confirmado a operação, os analistas do BTG Pactual consideram que eventual negócio é positivo, dada a crescente familiaridade da Ultrapar com ativos de infraestrutura após a aquisição da Hidrovias do Brasil.  

A transação também teria um impacto limitado de cerca de 0,1x dívida líquida/Ebitda, elevando a alavancagem de 1,6x para 1,7x.  

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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